Almada “illusion district”

7 meses atrás 2609

Médico, foi cabeça de lista da Iniciativa Liberal por Setúbal

Os almadenses riem-se do “innovation district” porque já foram enganados com o “Lisbon South Bay” e a “Cidade da Água”. A realidade é esta: Almada perde população e não é atractiva para o investimento

Foi apresentado, com pompa e circunstância, no dia 17 de Março o projecto “innovation district” que promete mudar a face de Almada. O resto do país achou espectacular, os almadenses riram-se.

Almada foi governada durante 40 anos por um partido comunista retrógrado, sem visão e acomodado a um poder que julgava ser seu por direito divino. Acontece que mudanças geracionais inevitáveis e o aumento do preço das casas em Lisboa, trouxeram para Almada uma nova população, mais exigente e que já não acredita em amanhãs que cantam. Uma nova geração constituída por famílias com filhos em idade escolar que chega a Almada e encontra uma enorme carência a nível de educação, nomeadamente,  escassez de estabelecimentos de ensino onde matricular os filhos; carências ao nível da saúde, por exemplo, a dificuldade que é conseguir médico de família ou encontrar uma urgência pediátrica aberta depois das 20 horas já que a do Hospital Garcia de Orta encerra a essa hora; e ainda o caminho das pedras que é iniciar a construção de uma casa visto que a Câmara Municipal de Almada esteve sem despachar pedidos de licenciamento nem de informação prévia sobre áreas urbanizáveis, por decisão do departamento de urbanismo, uma vez que falhou o prazo para rever o Plano Director Municipal.

Os almadenses riem-se do “innovation district” porque já antes foram enganados com o “Lisbon South Bay” e a “Cidade da Água”, projectos que, na teoria, iriam dar uma nova vida aos terrenos da antiga Lisnave mas que na prática não passaram, mais uma vez, de promessas. A realidade é esta: Almada apesar da localização geográfica privilegiada, perde população há décadas, tem um PIB per capita inferior ao da margem norte e não é atractiva para o investimento.

Oeiras é um bom exemplo do que Almada deveria ser, com uma política agressiva de atracção de investimento nacional e estrangeiro, veja-se o que é o Taguspark hoje, soube integrar a sede de muitas empresas, que trouxeram pessoas e investimento, melhorando claramente o nível de vida da população do concelho. A habitação é outro dos problemas graves do município, enquanto Oeiras cobra de IMI 0.30%, em Almada o valor é de 0.36%, o que, no mercado de arrendamento, leva inevitavelmente os senhorios a acomodar este valor no preço das rendas.

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A actual maioria constituída por PS e PSD foi uma oportunidade perdida, a esperança de muitos almadenses esfumou-se numa maioria sem coragem para fazer as rupturas com o passado que se exigiam e sem a visão alternativa que prometeram.

A Iniciativa Liberal apresentará em Almada um projecto focado nas pessoas e no seu futuro, um programa com três eixos fundamentais: governação eficiente, desenvolvimento sustentável e oportunidades para todos. Pretendemos com este programa apresentar uma proposta competente e exequível, que contrasta com os projectos megalómanos do passado e do presente, sem contacto com a realidade. Queremos trazer a inovação e empresas que criem postos de trabalho, queremos uma cidade com oferta nas áreas da saúde e educação, oferta essa que não tem que ser necessariamente pública, mas pode ser articulada entre o sector público, privado e social, queremos uma cidade vibrante, comunitária e com vida no seu centro, e não deserta como hoje está.

Não deixaremos que Almada se torne mais um exemplo do que é o socialismo, onde o “innovation district” é uma utopia quando o que temos na realidade é o Bairro do 2º Torrão, o maior bairro de barracas da Europa, onde moram milhares de pessoas.

Ilusão rima com inovação, infelizmente em Almada temos tido muito da primeira e praticamente nada da segunda

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