Apoiantes de líder destituído da UNITA concentram-se exaltados junto à entrada da reunião política

1 mes atrás 12
Descontentes com o tratamento noticioso dos órgãos públicos angolanos, que consideram ser "manipulador", alguns apoiantes exaltaram-se e tentaram impedir a entrada dos jornalistas, enquanto os dirigentes da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) tentam controlar estes excessos e convencer os mais exaltados a deixar os profissionais da impressa cumprirem o seu dever de informar, mantendo-se no exterior sob vigilância policial.

Joaquim Adão Gonçalves, membro da JURA, organização juvenil da UNITA, é um dos que se encontra no local e disse que o objetivo é "fazer pressão" para que se "reponha a verdade e que Adalberto da Costa Júnior volte ao lugar onde estava pois foi o presidente eleito da UNITA".

Adalberto da Costa Júnior foi afastado na sequência de uma decisão do Tribunal Constitucional que anulou o XIII Congresso da UNITA, tendo sido reconduzido o anterior presidente, Isaías Samakuva, até à marcação de um novo congresso.

Disse que vão esperar pela decisão da comissão política -- que deverá hoje anunciar um novo conclave -- mas destacou que "a vontade do povo" é ver Adalberto da Costa Júnior reocupar o seu lugar.

"O povo e a juventude angolana estão com o engenheiro Adalberto. Acredito que a direção tem pessoas capacitadas, que o mais velho Samakuva não é uma pessoa de má-fé e tem o nosso respeito", sublinhou.

Wilson Gonga veio também manifestar o seu apoio a Adalberto da Costa Júnior, apesar de não ser militante da UNITA, por considerar que é "um líder que mostrou que vai atrás do cidadão".

Disse ainda à Lusa que o ambiente tenso se deve "à vontade de ver Adalberto da Costa Júnior de volta ao seu lugar" e que "o que a população quer é a direção da UNITA não meter mais candidatos".

"O MPLA é diabo e vão usar as eleições, vão financiar o camarada que perdeu, e o povo quer que o engenheiro seja o único candidato", indignou-se.

Questionado sobre a intimidação a que foram sujeitos os jornalistas, disse que a população angolana "não gosta da TPA (Televisão Pública de Angola) porque mostram uma realidade que não é e manipulam a informação", salientando que "o jornalismo angolano tem de mudar".

Também no local da reunião encontra-se o secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas, Teixeira Cândido, que interveio pedindo para que "compreendessem o papel dos jornalistas" que é "fundamental" e frisou que os colegas que trabalham para a imprensa pública não controlam a linha editorial dos órgãos para que trabalham.

"Muitos dos jornalistas gostariam de fazer corretamente o seu papel, mas não tem poder para alterar a linha editorial", disse à Lusa Teixeira Cândido, acrescentando que pediu aos apoiantes que cessassem as intimidações e ameaças contra jornalistas, o que foi acolhido "positivamente".

A UNITA tem-se queixado do tratamento discriminatório dos órgãos controlados pelo Estado, como a Televisão Pública de Angola, TV Zimbo ou Rádio Nacional de Angola, na cobertura das suas atividades e os dois canais de televisão chegaram a anunciar que iriam suspender a cobertura do partido depois de os seus profissionais terem sido ameaçados durante uma manifestação.

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