Astrónomos amadores descobriram planeta gigante escondido diante os olhos de todos

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Chama-se TOI-2180 b e é um planeta com o mesmo diâmetro de Júpiter, mas é quase três vezes mais maciço. Os investigadores acreditam que contém 105 vezes a massa da Terra em elementos mais pesados do que hélio e hidrogénio. Além disso, referem que não existe nada como este planeta no nosso sistema solar.

Quem o descobriu foi uma equipa invulgar. Astrónomos amadores encontraram o planeta gigantesco escondido à vista de todos.

Ilustração de exoplaneta descoberto por Astrónomos amadores

Um planeta com um ano de 261 dias

Um astrónomo da Universidade da Califórnia Riverside (UCR) e um grupo de cientistas cidadãos de olhos de águia, descobriram um planeta de gás gigante escondido diante de todos os olhos. Usaram simplesmente instrumentos típicos de observação de estrelas.

Foi excitante termos encontrado o planeta TOI-2180 b. Este tem 3 pontos muito interessantes. Primeiro, tem uma órbita de vários séculos de dias. Segundo, está relativamente perto da Terra (379 anos-luz é considerado próximo para um exoplaneta). Terceiro, somos capazes de o ver transitar em frente da sua estrela. É muito raro os astrónomos descobrirem um planeta que conjuga todos estes três pontos.

Explicou o astrónomo da UCR Paul Dalba, que ajudou a confirmar a existência do planeta.

O astrónomo explicou também que o planeta é especial porque demora 261 dias a completar uma viagem à volta da sua estrela, um tempo relativamente longo em comparação com muitos gigantes de gás conhecidos fora do nosso sistema solar. A sua relativa proximidade à Terra e a luminosidade da estrela que orbita também fazem com que provavelmente os astrónomos sejam capazes de aprender mais sobre ele.

Tom Jacobs, astrónomo amador da NASA, descobridor do exoplanet TOI-2180 b

A NASA não o encontrou porquê?

A NASA tem o seu próprio telescópio espacial a vigiar o universo à caça de exoplanetas que orbitam estrelas que não o nosso sol. Contudo, o TESS olha para uma parte do céu durante um mês, e depois avança. Está à procura de quedas na luminosidade que ocorrem quando um planeta se atravessa na frente de uma estrela.

A regra geral é que precisamos de ver três 'mergulhos' ou trânsitos antes de acreditarmos ter encontrado um planeta. Um único evento de trânsito pode ser causado por um telescópio com um tremor, ou por uma estrela disfarçada de planeta. Por estas razões, o TESS não está focado nestes eventos de trânsito únicos. No entanto, um pequeno grupo de cientistas cidadãos está.

Disse o astrónomo da UCR.

Olhando para os dados do TESS, Tom Jacobs, membro do grupo e ex-oficial naval dos Estados Unidos, viu, apenas uma vez, uma luz fraca da estrela TOI-2180.

Recorrendo ao telescópio Lick, do Observatório Automated Planet Finder, Dalba e os seus colegas observaram o puxão gravitacional do planeta sobre a estrela, o que lhes permitiu calcular a massa do TOI-2180 b e estimar uma gama de possibilidades para a sua órbita.

Não satisfeito com estes dados e na convicção que poderia obter ainda mais certezas, num segundo evento de transição, Dalba organizou uma campanha onde foram utilizados 14 telescópios diferentes em três continentes no hemisfério norte. Assim, durante 11 dias, o esforço resultou em 20.000 imagens da estrela TOI-2180, embora nenhuma delas tenha detetado o planeta com confiança.

Contudo, este grupo de astrónomos estima que o TESS voltará a ver o planeta a orbitar a sua estrela já neste mês de fevereiro. Para obter essas provas, o grupo já esteve a planear um estudo de seguimento.

Como conseguem os amadores descobrir e os profissionais não?

O grupo de astrónomos cidadãos obtém dados publicamente, disponíveis em satélites da NASA, como o TESS, e procura eventos de transição únicos. Já no caso dos astrónomos profissionais, estes utilizam algoritmos para digitalizar vários dados automaticamente. No entanto, os "amadores" utilizam um programa criado por eles, para inspecionar os dados do telescópio a olho nu.

O esforço deles é realmente importante e impressionante, porque é difícil escrever códigos que possam identificar eventos de transição únicos de forma fiável. Esta é uma área em que os humanos ainda ultrapassam o código.

Concluiu Paul Dalba.

Os detalhes da descoberta foram publicados no Jornal Astronómico e apresentados no evento de imprensa virtual da Sociedade Astronómica Americana no dia 13 de janeiro.

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