"Azevedo" mostra as relações entre as diferentes espécies na zona oriental do Porto

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O projeto agora apresentado no âmbito do festival Mexe resulta de uma experiência comunitária com os habitantes de Azevedo, na freguesia de Campanhã, e questiona as "relações entre as várias comunidades", explica à Lusa Fernando Almeida, codiretor artístico do projeto.

"De alguma forma, o que questionamos são questões como que animais é que habitam a cidade, de que forma é que os vegetais ou as plantas são também elas profanadas ou cruzadas entre elas, através, por exemplo, das polinizadoras", detalha.

A instalação, que estará patente na Praça da Alegria de terça-feira a domingo, quer perceber a ligação entre as diferentes espécies e "torná-la algo próximo de um jogo, ou mais interativo, mais participado", para "criar uma comunicação e um diálogo em que essas múltiplas espécies podem criar quase um consenso, (...) criar quase uma espécie de assembleia que se junta".

"Eu chamaria quase um companheirismo, ou seja, seres companheiro de um ecossistema ou de uma espécie que normalmente está longe e que não te habita", acrescenta Rodrigo Malvar, que também assume a direção artística do projeto.

O público será convidado a levar uma espécie para casa, e "isso vai criando um eco de como é que uma instalação no espaço público pode transitar para o espaço privado e pode criar ecos ao longo de dias, e não só na altura em que aquela pessoa vai ver a exposição e recebe alguma coisa", considera.

"Esse companheirismo vai-se manifestando de diversas formas e, neste caso, serem cocriadores de uma instalação que vai habitar o centro do Porto, é uma coisa orgânica", sublinha o artista.

O que é agora apresentado no Mexe resulta de um trabalho que já tem vindo a ser realizado com aquela comunidade e que assenta em quatro eixos.

Um deles é o Centro Cultural Móvel, que culmina com esta apresentação, mas que já levou, numa parceria com a editora Lovers and Lollypops, programação musical ao autocarro que serve aquela zona, durante os fins de semana.

Para repensar um "enclave entre o Azevedo e o Lagarteiro", no Parlamento Expandido, outro dos eixos do projeto, já foi pintado um mural com a palavra "Imagina", e a população foi convidada a pensar nos usos que aquele espaço público pode ter.

A intenção "é que ele seja um espaço de encontro entre as pessoas, um espaço onde se pode discutir aquilo que é potencial e aquilo que não é potencial do território, e perceber como é que podemos agir sobre essas auscultações ao território", esclareceu Fernando Almeida.

"Para o futuro, aquilo que acho que teremos em que se notará o maior desenvolvimento, tem a ver com o lugar-comum, onde estamos agora a acabar a reabilitação do espaço, e onde poderemos passar para uma nova fase, que é fazer programação, fazer a inauguração do espaço e convidar os vizinhos para virem", adiantou.

Sobra ainda o Satélite, um vetor que levou à conceção de "três estruturas criadas em parceria com um coletivo de artistas e arquitetos, que vão entrelaçar várias práticas, em que cada módulo vai servir uma determinada função".

São uma espécie de bancas móveis, cada uma com diferentes funcionalidades, como oficina ou cozinha, por exemplo, que "juntos podem criar uma dramaturgia, sendo utilizados os três, mas também podem ser utilizados individualmente".

A instalação "Azevedo" pode ser vista de terça-feira a domingo, na Praça da Alegria, e estão ainda marcadas performances para sábado e domingo, às 10:00.

O Mexe -- Encontro Internacional de Arte e Comunidade, acontece de 18 de setembro a 03 de outubro, no Porto, em Lisboa e em Viseu.

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