BCP diz que é passado a necessidade de ter acionistas que possam suportar banco

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O BCP disse esta segunda-feira que os acionistas Fosun e Sonangol são importantes, mas que não precisa destes acionistas como no passado, para eventualmente suportarem o banco face a necessidades de capital, pelo que vê com normalidade redução de participações.

"O capital [do BCP é hoje] tão robusto que não me preocupo com nenhuma necessidade de vir a precisar de capital, a necessidade de ter acionistas com capital para suportar o banco faz parte do passado e não do futuro", disse Miguel Maya, na conferência de imprensa de apresentação das contas de 2023 (lucros de 856 milhões de euros).

Maya disse que no BCP estão "gratos e reconhecidos" pelo apoio desses acionistas e que continuam "muito importantes na vida do banco", mas que o banco ter mais capital disperso em bolsa (`free-float` na expressão em inglês) de futuro é normal e até equipara o BCP a outros grandes bancos internacionais.

"Estava mais preocupado quando o BCP tinha os desafios da normalização do balanço. Na medida em que hoje o banco tem situação sólida, o normal era ver BCP a evoluir como os grandes bancos europeus e norte-americanos em que tem um `free-float`, nós temos 60% e grandes bancos têm `free float` nos 90% ou mais. Esse é o processo normal, não há nenhuma perturbação, nenhum impacto na capacidade de o banco inovar, modernizar-se e servir a economia", afirmou.

O gestor disse ainda que, desde que assumiu o banco, se fala que a Sonangol irá diminuir a posição e que para já nada aconteceu.

O BCP tem como principal acionista o grupo chinês Fosun, com uma participação de 20,3% (depois de, em janeiro, ter vendido aproximadamente 5,60% do capital do banco pelo valor de cerca de 235,188 milhões de euros), sendo o segundo maior acionista a petrolífera angolana Sonangol, que em final de junho tinha 19% do banco.

Em 23 de janeiro, após a venda da Fosun, o presidente do Conselho de Administração do BCP (presidente não executivo), Nuno Amado, recusou comentar aos jornalistas a venda pela Fosun, dizendo apenas que o banco "está bem e recomenda-se", palavras hoje repetidas na conferência de imprensa.

O BCP, que hoje anunciou que teve lucros de 856 milhões de euros em 2023 (quatro vezes mais que os 197,4 milhões de euros de 2022), tem uma grande dispersão do capital, com mais de 100 mil acionistas.

A comissão executiva do BCP decidiu propor pagar aos acionistas dividendos de cerca de 250 milhões de euros relativamente a 2023, 30% dos lucros.

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