Bolsa de Cabo Verde já colocou este ano 12,6 milhões euros em emissões

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A Bolsa de Valores de Cabo Verde (BVC) já colocou 12,6 milhões de euros em quatro emissões obrigacionistas este ano, duas das quais, apresentadas hoje, a favor da Câmara do Sal, de 6,3 milhões de euros.

“O montante global destas quatro emissões ascende a 1,4 milhões de contos [1.400 milhões de escudos, 12,6 milhões de euros], cerca de 25% do montante total de emissões de obrigações diversas do ano de 2022”, anunciou o presidente da BVC, Miguel Monteiro, ao apresentar, na Praia, os resultados da oferta particular do empréstimo obrigacionista a favor da Câmara Municipal do Sal, a ilha mais turística do arquipélago.

As outras duas emissões anteriores, deste ano, dizem respeito às operações da imobiliária estatal IFH e do international investment Bank (iiB).

“Estes números permitem-nos reforçar que estamos efetivamente no rumo certo para alcançarmos o objetivo preconizado para este ano de conseguirmos, no mínimo, 11 emissões de obrigações diversas. Temos em bom curso várias operações de financiamento através de empréstimos para empresas e municípios, dos quais estaremos certamente a apresentar resultados nos próximos tempos”, acrescentou, recordando que anteriormente a média anual de emissões na BVC era de quatro operações, tantas como as já realizadas em 2023.

Miguel Monteiro recordou também que a Câmara do Sal foi a primeira a recorrer a emissões em bolsa, em 15 de julho de 2010, voltando agora para duas séries de emissões, uma no montante de 401,8 milhões de escudos (3,6 milhões de euros), para reestruturar a dívida, e outra de 300 milhões de escudos (2,7 milhões de euros), para investimentos, através da antecipação de várias receitas públicas.

“Para financiamento do Programa Municipal de Investimentos, designadamente para implementação dos projetos de asfaltagem de ruas das cidades de Espargos e Santa Maria, bem como outras obras de requalificação urbana e equipamentos de utilidade para o bem-estar dos munícipes. Ou seja, com esta operação, o município estará dotado de recursos financeiros para proporcionar melhores condições de vida aos seus munícipes”, sublinhou Miguel Monteiro.

O autarca do Sal, Júlio Lopes, explicou que só a operação de reestruturação da dívida permitirá ao município, face aos juros mais baixos, uma poupança superior a 30 milhões de escudos (270 mil euros).

O Sal é quarto mais populoso município de Cabo Verde, recordou Júlio Lopes, e tem o segundo maior orçamento municipal, apenas atrás da Praia, a capital. Admitiu igualmente que devido ao impacto da crise provocada pela pandemia de covid-19 na ilha, totalmente dependente do turismo, os grandes operadores devem ao município mais de 500 milhões de escudos (4,5 milhões de euros) em receitas fiscais, o que levou a autarquia a criar um departamento para garantir essas cobranças.

Reconheceu também que o município recebeu nos últimos anos, essencialmente no setor do turismo, mais de 1.000 milhões de euros de investimento privado e que tem recursos suficientes para garantir o pagamento desta emissão, com maturidade de 10 anos.

A Bolsa de Valores de Cabo Verde já emitiu em quase 25 anos de atividade quatro emissões bolsistas de municípios, as primeiras das quais em 2010, referentes à Praia e ao Sal. As seguintes só aconteceram em 2022, casos dos municípios dos Mosteiros, ilha do Fogo, para reabilitação de estradas, no valor de 100 milhões de escudos (915 mil euros), e de São Domingos, ilha de Santiago, de 160 milhões de escudos (1,5 milhão de euros), para projetar uma nova cidade próxima à Praia.

A BVC fechou o ano de 2022 com um resultado histórico de 10 colocações bolsistas, face à média anual de quatro antes de 2022.

A capitalização da Bolsa de Valores de Cabo Verde ultrapassou no final de dezembro os 106.844 milhões de escudos (968,9 milhões de euros), impulsionada pelo crescimento das emissões bolsistas.

A capitalização bolsista – aproximação do valor de mercado das empresas e títulos – da Bolsa de Valores de Cabo Verde já tinha ultrapassado em abril, pela primeira vez na sua história, os 100 mil milhões de escudos (915 milhões de euros).

A Bolsa de Valores de Cabo Verde foi criada em maio de 1998 e conta ainda com quatro empresas cotadas, com destaque para o Banco Comercial do Atlântico (BCA, detido pelo grupo Caixa Geral de Depósitos) e para a Caixa Económica, e outras que emitem obrigações.

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