Choque fiscal britânico atira libra para mínimos de 37 anos face ao dólar

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A libra esterlina atingiu mínimos de 37 anos face ao dólar esta sexta-feira, 23 de setembro, depois do ministro das Finanças britânico, Kwasi Kwarteng, ter apresentando um mini-pacote de cortes de impostos e de subsídios às energéticas que espoletou temores relativamente à sustentabilidade fiscal do Reino Unido.

Na tarde desta sexta-feira, a libra cotava em queda de 3% valendo 1,09 dólares norte-americanos, tocando em valores não vistos desde o início de 1985. Face ao euro, a libra perdia 1,81% e cotava nos 1,12 euros, em mínimos de janeiro de 2021.

A queda massiva da libra ocorre depois do ministro das Finanças britânico, Kwasi Kwarteng, do recém-empossado governo liderado pela primeira-ministra Liz Truss, ter apresentado um mini-pacote de estímulo fiscal que reduz os impostos sobre as empresas.

Os cortes, que visam aumentar a competitividade do país, aparecem na mesma altura em que entra em vigor um pacote de alívio aos custos da energia que irá custar cerca de 60 mil milhões de libras (68,7 mil milhões de euros) só nos próximos seis meses).

O ministro mantém nos 19% o equivalente britânico ao IRC, em vez de aumentá-lo para os 25% como anteriormente previsto, vai eliminar o limite máximo aos bónus dos banqueiros, reduzir o imposto de selo nas compras de imobiliário e acabar com o IVA para turistas, entre outros cortes fiscais.

Os mais emblemáticos são, porém, a revisão dos escalões de imposto sobre o rendimento das pessoas singulares, com o escalão mais alto a pagar 40% de IRS em vez de 45%; e o mais baixo a pagar 19% em vez de 20% a partir de abril de 2023.

Os mercados reagiram vendendo libra esterlina em massa nesta sexta-feira, que desvalorizou para mínimos de quase quatro décadas, e desvalorizando o valor de mercado das gilts, as obrigações soberanas britânicas, a dez anos, cuja rendiblidade (yield) disparou para 3,8%, crescendo 0,3 pontos percentuais de um dia para o outro e quase 0,7 pontos percentuais nos últimos sete dias.

O Banco de Inglaterra enveredou por um ciclo de contrações da política monetária, incluindo uma de 50 pontos-base na quinta-feira, que visam conter uma taxa de inflação cujo registo mais recente é de 9,9% em agosto, em máximos de 1982.

De acordo com o Financial Times, a entidade responsável pela gestão da dívida britânica aumentou o plano de emissão de dívida para 2022-2023 de 62,4 mil milhões de libras (72,3 mil milhões de euros) para os 193,9 mil milhões de libras (224,7 mil milhões de euros), o que analistas e deputados da oposição consideram ser a uma trajetória insustentável de dívida pública.

Como calcula o Institute of Fiscal Studies, IFS, que prevê que estas medidas ponham a dívida do Reino Unido numa “trajetória insustentável”: a organização antecipa que o endividamento do estado britânico alcance os 100 mil milhões de libras (113 mil milhões de dólares) por ano, e isto mesmo depois das medidas de apoio às contas da energia expirarem daqui a dois anos.

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