Cirurgia plástica, ioga e um destino paradisíaco na Costa Rica: como a homicida de Mo Wilson foi descoberta

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O homicídio da ciclista Mo Wilson, no contexto de um triângulo amoroso fatal, chocou o mundo no passado mês de maio. Durante meses, o paradeiro da principal suspeita - Kaitlin Marie Armstrong, a mulher do ciclista com quem Mo teria mantido uma relação - permaneceu uma incógnita. As autoridades tinham, entretanto, atribuído o estatuto "prioritário" às buscas pela instrutora de ioga. "A Kaitlin está algures a ver isto, a ouvir isto ou a ler esta informação", disse, em junho, o agente Brandon Filla, dirigindo de seguida as suas palavras à suspeita. "Conta o teu lado da história, porque isto não vai simplesmente desaparecer." 

Kaitlin não estava apenas "algures". Encontrava-se alojada num hostel na praia paradisíaca de Santa Teresa, na Costa Rica. De forma a ocultar a sua identidade, a mulher terá cortado e pintado o cabelo de castanho escuro, apresentando ainda uma ligadura no nariz. 

"Tinha um aspeto tão diferente em comparação com as fotos antigas", comentou um utilizador de um fórum online, que alega ter estado instalado no estabelecimento no mesmo período que Kaitlin. "Tinha uma ligadura no nariz que, disse, se devia a um acidente de surf. Estive prestes a perguntar-lhe como é que isso tinha acontecido exatamente, porque se uma prancha de surf tivesse causado esse ferimento no nariz ela teria morrido na água. Acho que ela fez uma cirurgia plástica." 

Em conferência de imprensa, o agente Filla confirma ter sido encontrado um recibo de uma clínica de cirurgia plástica no valor de 6.350 dólares (cerca de 6.236 euros). O dinheiro despendido nas prováveis cirurgias, bem como na estadia de 17 dólares por noite, terá sido coberto pela venda de um Jeep Grand Cherokee, dois dias depois do homicídio de Mo Wilson, por 12.200 dólares (cerca de 11.981 euros)

Kaitlin foi avistada pela última vez no aeroporto de Newark, no Estado de Nova Jérsia, embora as autoridades não tivessem encontrado, na altura, quaisquer registos em seu nome. Apesar de inicialmente ter sido ponderada a hipótese de um passaporte falsificado, a Direção Geral de Migração da Costa Rica explicou que o passaporte era, de facto válido - mas que pertencia a outra pessoa "que se assemelhava muito à sua descrição física". 

Mas foi a paixão por ioga que acabou por determinar a captura da instrutora da modalidade. O alojamento "Don Jon's", localizado numa área popular entre adeptos de surf, dispunha também de sessões de ioga de que os clientes poderiam usufruir. O pseudónimo usado por Kaitlin na inscrição das aulas foi o mesmo a que recorreu quando viajou para Costa Rica - facilitando assim o trabalho da polícia. 

"Quando chegou à Costa Rica, não se movimentou muito. Já sabíamos que ela ia estar associada a algum tipo de estúdio de ioga", adiantam as autoridades, acrescentando que a suspeita teria intenções de começar uma carreira no país como instrutora. "Quando a polícia local chegou ao estúdio, encontraram uma entrada escrita à mão que continha o mesmo pseudónimo que já tinha usado." 

Num golpe de ironia, foi detida no mesmo local onde esperava recomeçar a sua vida: um estúdio de ioga na Costa Rica. A suspeita será agora deportada e reconduzida de volta aos Estados Unidos, num prazo máximo de 30 dias. 

Um triângulo amoroso que acabou em tragédia

Anna Moriah Wilson, natural do Estado de Vermonte, viajou em maio para a cidade de Hico, no Texas, onde iria participar numa competição de ciclismo todo-o-terreno. Também conhecida por "Mo" entre os amigos e os fãs, a jovem tinha-se destacado recentemente no panorama desportivo com prestações que a catapultaram para as manchetes desportivas e lhe concederam dez vitórias em competições no ano de 2022.

Na noite em que foi assassinada, "Mo" teria visitado a piscina pública de Deep Eddy com o também ciclista Colin Strickland. O homem terá deixado Wilson em casa de uma amiga, onde acabou por acontecer o crime.

O atleta de 35 anos admitiu um romance fugaz com "Mo" em outubro, durante uma pausa de "uma ou duas semanas" no relacionamento de três anos com Kaitlin Marie Armstrong, mas garantiu que a relação era agora estritamente platónica e profissional. A instrutora de ioga teria, em ocasiões passadas, contatado a ciclista por telefone para a recordar de que "era ela quem estava a namorar com Strickland" e alertado a jovem para "manter a distância". 

A análise das circunstâncias da morte incriminou Kaitlin como a mais provável culpada. Um automóvel semelhante ao da mulher de 34 anos, um Jeep Grand Cherokee, foi filmado em frente à casa onde ocorreu o crime por câmaras de vigilância, e as autoridades encontraram posteriormente uma pistola de calibre de 9mm em casa do casal. 

Kaitlin chegou a ser detida, mas as autoridades foram mais tarde informadas de que o mandato de captura era "inválido" e autorizaram a mulher a abandonar as instalações.

A suspeita esteve em fuga desde o dia 13 de maio até o passado sábado. 

2022-07-06 23:31 CNN Portugal / CF

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