Clero do Patriarcado de Lisboa manifesta apoio a D. Manuel Clemente

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“Em vez de possibilitar uma maior tomada de consciência acerca do problema dos abusos sexuais na Igreja e de conduzir a um debate sério sobre o clericalismo (como o Papa Francisco já indicava na carta enviada ao Povo de Deus sobre os abusos sexuais, abusos de poder e abusos de consciência, em 20 de agosto de 2018), a dinâmica mediática transformou tudo em mais um ‘caso’”, lamentam os responsáveis, numa nota publicada online.

Os cinco membros do Secretariado Permanente deste órgão consultivo do cardeal-patriarca assinalam que se vivem “tempos exigentes” para a Igreja, com a divulgação, “semana após semana” de notícias sobre alegados abusos sexuais.

“Alguns são casos já investigados, outros até já julgados; uns condenados, outros arquivados”, acrescentam.“Encontramo-nos num caminho de conversão para que crimes destes nunca mais sejam encobertos, e que, de futuro, preventivamente, tudo se faça para que eles não se repitam”.

A nota deixa ainda uma palavra de solidariedade a D. Manuel Clemente, perante acusações de encobrimento de casos, que tem rejeitado.

“Queremos contar com o nosso patriarca, cardeal Manuel Clemente, como contamos até aqui. Para que, em comunhão com ele, nos anime a irmos mais além no serviço ao Povo que nos é confiado e na procura da verdade e da justiça que o anúncio do Evangelho comporta”, lê-se na mensagem assinada padres Alberto Gomes, José Manuel Pereira de Almeida, José Miguel Pereira, Nuno Amador e Ricardo Figueiredo.
D. Manuel Clemente só soube mais tarde dos abusos D. Manuel Clemente garantiu que só teve conhecimento de denúncias de abusos atribuídas ao padre Inácio Belo entre 2013 e 2014. O Patriarcado respondeu à reportagem da RTP que revelava que o cardeal-patriarca sabia dos alegados abusos desde 2003.

Na investigação da RTP, emitida na passada sexta-feira, duas testemunhas diferentes garantiram que D. Manuel Clemente teve conhecimento de sucessivas denúncias, mas afastou os denunciantes e manteve o padre em funções.

Cinco dias depois, chegou uma resposta às perguntas feitas pela RTP, em apenas três parágrafos. O Patriarcado de Lisboa reage à reportagem que revelava que D. Manuel Clemente sabia de abusos atribuídos ao padre Inácio Belo desde 2003. Garante que o cardeal patriarca de Lisboa só soube das denúncias anos mais tarde.

"Foi na investigação prévia, realizada entre 2013 e 2014, que o atual Patriarca de Lisboa teve conhecimento da denúncia dum caso de abuso atribuído ao referido sacerdote", diz a resposta.

Mas testemunhas ouvidas pela RTP contam uma versão diferente. Quer um sacerdote, quer um antigo escuteiro, relatam que em 2003 houve um encontro no seminário dos Olivais em Lisboa e que nessa altura os denunciantes foram afastados e o padre mantido em funções.

Em 2003 o bispo auxiliar de Lisboa e reitor do seminário dos Olivais era D. Manuel Clemente, hoje cardeal patriarca.

A investigação da RTP, emitida na passada sexta feira, revelava que os alegados abusos sexuais atribuídos ao padre Inácio Belo teriam ocorrido numa paróquia do Oeste e na Paróquia de Santa Maria dos Olivais, em Lisboa, desde os anos 90.

Em 1997, o caso foi denunciado pela primeira vez ao Patriarcado de Lisboa. Na altura, D. José Policarpo mudou o padre de sítio.

A RTP perguntou ao patriarcado de Lisboa o porquê de defender um padre suspeito de abusos sexuais, por que terão encoberto os abusos, e de que forma D. Manuel Clemente acompanhou os problemas causados pelo pároco Inácio Belo. Mas todas essas questões ficaram sem resposta.

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