Drones, um negócio de muitos milhões

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A indústria dos drones tem tido um rápido crescimento, muito potenciado pelas guerras que têm eclodido, nos últimos cinco anos, em diferentes continentes, designadamente a guerra na Ucrânia.

Os desenvolvimentos tecnológicos e a grande concorrência a nível mundial têm permitido uma rápida transformação do sector. No início, os drones estavam confinados à indústria de defesa e segurança, mas rapidamente alargaram a muitos outros sectores. Estima-se que em 2032 a indústria dos drones possa representar mais de 100 biliões de dólares.

Com o avanço da tecnologia, as utilidades do drone estão cada vez mais exploradas e otimizadas. Atualmente, é possível contratar diversos tipos de serviços oferecidos por pilotos dessas aeronaves controladas remotamente, como sejam: filmagens, manutenção de plantações, monitorização de florestas, serviços de segurança, lavagem de fachadas de edifícios e de aviões, e transporte de mercadorias.

Em Portugal, o volume de negócios é de cerca de 30 milhões de euros e existem várias empresas que têm “dado cartas” neste sector, designadamente a UAVISION, a TAKEVER ou a BEYOND VISION. Os desenvolvimentos técnicos e tecnológicos são muitos e o tipo de materiais utilizados está em progressiva transformação. Um bom exemplo disso é a substituição das fibras de carbono por fibras de basalto, que têm idêntica resistência, mas que são significativamente mais baratas e têm a vantagem de não ser intercetadas pelos radares (ao contrário do carbono).

A Marinha Portuguesa tem tido um papel decisivo no apoio ao desenvolvimento das empresas portuguesas deste sector, envolvendo universidades e juntando em Portugal aquilo que se faz de melhor no mundo.

Em setembro do ano passado, a Marinha Portuguesa organizou o evento “REMBUS 2023”, que juntou mais de 1.400 participantes de todo mundo e permitiu testar e experimentar mais de 80 tipos diferentes de drones. Tróia e Sesimbra foram o “palco” do maior exercício de experimentação de drones marítimos do mundo: sistemas não tripulados cuja utilização pode ir da vigilância marítima até missões de busca e salvamento.

Esta 13.ª edição do _“REMBUS”_ contou com 15 marinhas participantes — a maior parte da NATO — 11 marinhas observadoras, várias organizações da Aliança Atlântica e ainda mais de 40 entidades, entre representantes de indústrias e universidades.

Para além dos drones, também os sistemas anti-drone estão em grande desenvolvimento e são um negócio que tem evoluído significativamente.

Hoje, há uma grande pressão militar dos EUA para conceber e desenvolver capacidades anti-drones mais eficazes e mais baratas. A tarefa é desafiadora, porque para abater drones baratos, não se pode pagar contramedidas altamente caras, como por exemplo o uso de baterias de mísseis de defesa aérea Patriot, que têm um custo de quatro milhões de dólares por míssil de interceção.

Também a evolução da inteligência artificial (lA) está a tornar os drones cada vez mais potentes e eficazes a cada dia que passa, permitindo o uso de algoritmos cada vez mais complexos.

A IA aplicada em drones oferece uma vantagem estratégica na guerra moderna. A IA facilitou o que é denominado de “inteligência de enxame”. Ou seja, a IA permite que vários drones no ar funcionem de maneira coordenada e coerente como um “enxame”. No teatro de operações militar o “enxame” de drones permite sobrecarregar o inimigo e executar tarefas militares táticas e estrategicamente importantes.

A IA também está a permitir que os drones se tornem “autónomos”. Outrora era um conceito imaginário, mas a IA tornou possível ter uma nova forma de guerra usando drones que são “robôs militares”, que podem ser terrestres, aéreos ou aquáticos. São drones totalmente armados e que são usados para atacar e rastrear forças hostis, observar o comportamento do inimigo e recolher informações cruciais.

Tendo em conta a capacidade instalada em Portugal, o País devia encarar o sector dos drones – nas áreas militar e civil – como uma prioridade de investigação, desenvolvimento, e produção nacional.

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