ENTREVISTA | André Brito, Pevidém: «Iniciámos a época com nove jogadores»

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Limianos, Pevidém, Amarante, São João de Ver, União de Santarém, Lusitânia dos Açores, Vitória FC, Moncarapachense. São estes os oito clubes que irão disputar a subida à Liga 3. Na antecâmara da fase de todas as decisões no Campeonato de Portugal, o zerozero conversou com os oito treinadores que vão lutar pela promoção de escalão. 

Pevidém pode regressar à Liga 3, dois anos depois de ser despromovido da prova. Alcançou o segundo lugar numa Série A marcada pelas decisões (literalmente) no último minuto. 

André Brito
2023/2024

28 Jogos
12 Vitórias
11 Empates
5 Derrotas

33 Golos
24 Golos sofridos

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Cenário dramático. Com quase todos os jogos já terminados, apareceu um golo ao cair do pano no duelo entre Vila Real e Tirsense que permitiu ao emblema de Guimarães chegar a esta fase. Agora, o plano é só um: subir de divisão.

André Brito está no comando técnico do Pevidém há época e meia. Permaneceu no cargo após a criação da SAD do emblema e quer levar o clube à Liga 3. Em 46 jogos ao serviço da equipa, levou-a ao caminho das vitórias por 22 ocasiões e pode conseguir o feito de fazer os seus comandados regressar a uma das três principais ligas nacionais.

Os adversários? Limianos, Amarante e São João de Ver. Tudo arranca no próximo dia 21 de abril.

«O Amarante parte como o grande favorito»

zerozero (zz): Como descreve o trajeto do Pevidém até chegar a esta fase?

André Brito: Acima de tudo, descrevo-o como um trajeto histórico para o clube. Num passado bem recente, fizemos parte do primeiro formato da Liga 3. Era um objetivo claro para nós, pelo menos, estar nesta fase de subida, por tudo aquilo que representa para o clube e para as pessoas de Pevidém.

No último jogo que tivemos, lembrei-me do que tinha sido o nosso início de temporada. Com a entrada da SAD no clube, houve processos que se atrasaram. Nós iniciámos a época com nove jogadores e estivemos praticamente três semanas com esse número. Só a partir daí é que se começou tudo a formular e acho que, se alguém no início nos dissesse que íamos estar nesta fase da luta, poucos acreditavam. Os que existiam acreditaram até ao fim e acho que foi o que nos fez chegar a este momento. 

Pevidém SC

Campeonato de Portugal Ap. Subida Série 1 23/24

zz: Dois anos depois, o Pevidém tem a oportunidade de regressar à Liga 3. Com isso, e depois de todo o início de época atribulado, acha que estes são fatores que alavanca ainda mais a motivação da equipa?

AB: Até pelo número de pessoas que se juntou ao clube. Eu brinquei no final do jogo e disse que nós começámos com cem e acabámos com mil. Foi um número absolutamente extraordinário que tivemos de pessoas a apoiar-nos e a assistir aos jogos com o Tirsense, Limianos e, agora, com o Camacha.

Sentimos que muitos dos jovens da formação, pais da formação e pessoas da vila que não estavam tanto com o clube, voltaram a acreditar. Voltaram a ver que Pevidém tinha os valores da vila. Acredito que isso trouxe toda a gente. Nós temos jogadores de Pevidém que sentem imensamente o clube, que passam essa mensagem a toda a gente.

Acho que nós, sem sermos os favoritos nesta fase - que não acredito que sejamos os favoritos nesta fase, até pelos valores que pagamos -, temos uma palavra a dizer importante.

zz: O que espera desta fase de subida? Limianos, Amarante e São João de Ver são os adversários que se seguem.

AB: Nós esperamos muitas dificuldades. Acho que o Amarante parte como o grande favorito. Já é o segundo ano em que ultrapassa a barreira dos 50 pontos com o mister Renato e são dois trabalhos extraordinários. Desde muito cedo se apresentou como a equipa que tinha melhores condições e capacidade para ir para a Liga 3.

Igualmente, há um São João de Ver que, no ano passado, jogava a Liga 3 e que, desde o primeiro dia, também se propôs a regressar a esse patamar. O Limianos vem de um contexto diferente de subida da distrital, mas é um clube que tem uma excelente equipa, provou-o na nossa série. A verdade é que nós não ganhámos nenhum dos jogos ao Limianos, - empatámos os dois - demonstrando muito do equilíbrio que havia.

O que eu acredito para as fases finais é que, se nós temos uma fase regular, que é uma maratona, temos uma fase final que é olímpica. Em seis jogos, tudo pode acontecer. Os jogos em casa ganham um peso ainda maior. 

«É melhor somar do que sumir»

zz: O que acha que vai mudar para esta nova fase, em termos de preparação de equipa?

AB: Há sempre coisas que mudam, quer a nível de tático, quer a nível estratégico. Tudo tem que ver com a tipologia de adversários que nós encontramos. A equipa chega a  esta fase final com uma preparação e com uma ideia já concebida diferente da que tinha no início. 

Eu acho que, acima de tudo, uma das coisas que me dá muita satisfação é olhar para o nosso plantel e perceber que o misto de jogadores experientes e de jogadores mais jovens que temos dá-nos toda a tranquilidade para percebemos estes momentos. Nós sabemos que, em seis jogos, cada ponto vai ser muito mais importante e nós usamos uma expressão durante a época: É melhor somar que sumir. Então, nesta fase, qualquer ponto que se somar pode ser um ponto rumo à Liga 3.

Acho que o que muda em termos de preparação é mais um aspeto mental do jogador. Tem de perceber a importância que cada jogo tem, cada momento e que cada erro pode ter, até porque, aqui, o tempo que nós temos para recuperar esse erro é diferente.

zz: Qual é a mensagem que pretende deixar aos adeptos?

AB: Os adeptos tiveram demonstrações de carinho absolutamente extraordinárias connosco. Era difícil não falar deles porque sentimos que conseguimos, com muito trabalho e dedicação, unir uma vila ao clube, que era algo que, quando eu entrei há uma época e meia, parecia longe e difícil de acreditar.

Tiveram uma característica que eu acho que acontece pouco no futebol. Nos momentos difíceis, apoiaram sempre a equipa, apoiaram sempre o treinador. Estiveram sempre connosco.

Lembro-me do jogo em Montalegre, quando perdemos para a Taça. O apoio que tivemos no final foi fantástico. O apoio e a crença que tivemos dessas pessoas, nesta fase final, fez-nos acreditar que, na última jornada com a Camacha, que parecia que dependíamos só de nós para ir à luta pela subida da divisão.

Aquilo que eu peço às pessoas é que, agora mais do que nunca, que sejamos uma família e que percebam que vamos jogar contra grandes equipas. Se estiverem connosco do primeiro ao último minuto em todos os jogos, estamos muito mais próximos de atingir o nosso objetivo. Vamos precisar dessa força extra. Não partimos como favoritos nesta fase, portanto, todos seremos poucos, mas eu acredito que a vila está connosco. Acho que vamos fazer uma coisa bonita e o nosso desejo é estarmos no Jamor a festejar no dia 9 [de maio].

@FPF

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