Exposição em Serralves assinala centenário do artista Fernando Lanhas

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Intitulada "Fernando Lanhas. O Homem é fenómeno magistral", a mostra reúne um conjunto de obras provenientes da Coleção de Serralves e "do generoso e particularmente relevante depósito da sua obra acordado ao longo de mais de vinte anos em diálogo com o artista", segundo um texto do museu.

A exposição, que é inaugurada hoje às 19:00 e abre ao público na quinta-feira, tem curadoria de Marta Moreira de Almeida, diretora-adjunta do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, e ficará patente até 03 de março de 2024.

Arquiteto de formação, Fernando Lanhas "cedo concluiu que teria de explorar outras áreas de interesse para atingir os seus propósitos de pesquisa, como a pintura, o desenho, a arqueologia, a botânica, a astronomia, a etnologia, a museografia, assim como a escrita poética e ficcional", recordou o museu sobre o artista.

Num texto que publicou no ano 2000, Fernando Lanhas descreveu o Homem como "um fenómeno magistral", um "texto elucidativo do seu pensamento, do seu entendimento do mundo e compreensão de algo mais vasto, o universo [...] que reflete uma apreensão da realidade a partir de uma unidade central, o ser humano, que acabará por constituir a escala de todo o seu processo artístico".

Nascido no Porto, a 16 de setembro de 1923, estudou arquitetura na Escola Superior de Belas Artes daquela cidade (ESBAP), revelando desde muito cedo um grande interesse pelo mundo natural e pelo cosmos que influenciou a sua obra.

Em 1942, iniciou o curso de arquitetura da ESBAP, mas manteve sempre o interesse pela pintura, começando com trabalhos figurativos, e também pelo debate de temas relacionados com a arte, convivendo com artistas como Júlio Pomar e Manuel Pereira da Silva.

A sua pintura foi pioneira na introdução do abstracionismo geométrico em Portugal a partir de meados dos anos 1940.

Dedicou-se também à arqueologia e a outras áreas do seu interesse, nomeadamente museologia, antropologia, etnografia, geologia, astronomia, percorrendo todo o litoral galego para procurar pedras preparadas ou com entalhes, vindo a descobrir gravuras rupestres do Monte da Luz, na Foz do Douro.

Em 1973, foi nomeado diretor do Museu Etnográfico e Histórico do Porto, cargo que exerceu até 1993.

Fernando Lanhas foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada em 1990, em 1997 foi-lhe atribuído o Grande Prémio Amadeo de Souza-Cardoso, em Amarante, e, em 2002, recebeu o Prémio consagração de Artes Plásticas -- CELPA (Associação da Indústria Papeleira) com a colaboração da Fundação Arpad Szenes -- Vieira da Silva.

A Fundação Júlio Resende e o Museu de Serralves realizaram-lhe, em 2001, uma grande exposição retrospetiva cobrindo as múltiplas vertentes da sua obra.

O Centro de Artes Visuais de Coimbra também irá inaugurar uma exposição dedicada ao artista, intitulada "Fernando Lanhas - Sabe o que não sabes", a 16 de dezembro, inserida no ciclo "A vida apesar dela", com curadoria de Miguel Von Hafe Pérez.

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