Francisco Sales: “Parei de fugir. E esta música ajuda a contar essa história”

3 meses atrás 57

O guitarrista Francisco Sales estreia hoje o seu novo álbum, FOGO NA ÁGUA, num concerto inserido nas Misty Sessions que decorrem no Espaço Espelho de Água, em Belém, Lisboa. O músico que viveu em Londres, trabalhou com os Incognitou de Bluey Maunick, com quem correu mundo, e pelo meio participou em inúmeras gravações de outros artistas, apresenta agora, ao terceiro disco em nome próprio, uma interessante guinada na sua carreira, abandonando a alçada directa do jazz para explorar uma veia composicional que acredita estar prróxima de uma música instrumental mais contemplativa e algo cinemática. Francisco, aliás, insiste que, mesmo sendo desprovida de palavras, a sua música conta uma história.

Na entrevista que nos concedeu antes da estreia que mais logo ocorre pelas 20h30, em Lisboa, Francisco fala da experiência britânica, de questões do foro da saúde mental e de como este disco aconteceu na sua vida. A história, ajudada a contar com os músicos Edmundo (aka Edu Mundo, percussionista em Fogo Fogo) e Sandra Martins (violoncelista que tem igualmente pergaminhos bem firmados tendo integrado vários projectos e tocado com músicos como Manuel D’Oliveira e João Frade) terá novo capítulo com a transposição para o palco das composições que agora se revelam, como fogo na água…



A primeira questão que te coloco é muito simples: a que secção de uma loja de discos tenho de me dirigir para encontrar o teu álbum?

Fazes-me logo a pergunta mais difícil, para começar [risos].

A chamada “entrada a pés juntos”…

Completamente. Eu detesto rotular-me, de alguma forma.

Mas esta é uma pergunta muito prática, uma vez que esta situação vai mesmo acontecer. O teu disco não está apenas disponível nas plataformas de streaming — e mesmo aí é possível de ser incluído em playlists especializadas — e, numa loja, o disco vai ter de ser arrumado em alguma secção, não é?

Eu encaixaria-o entre a world, a música para cinema e o instrumental. Algures entre essas três. Mas há tanta coisa no meio deste disco… Até um lado punk tu encontras.

Essa ideia de haver um lado punk do disco parece-me surpreendente. Queres explicar-te?

Há uma certa coragem na forma de contar esta história. É um lado assim, mais wild. Acaba por ser uma música com alma errante, com aquela guitarra eléctrica que parece uma pistola a vir não sei de onde. Acho que o álbum também tem um bocado desse espírito.

Acho curioso mencionares a world music, as bandas sonoras, a música instrumental e até que consigas ver aqui qualquer coisa de punk. Mas não mencionas o jazz nessa equação.

Não menciono, de todo. Não sinto o jazz neste tipo de disco. De todos os que eu fiz, acho que este é o que menos jazz tem. Sem dúvida que sem o que eu fiz no jazz seria impossível ter chegado aqui. Foi um caminho necessário. Como é óbvio, tenho algumas harmonias e algumas melodias que são ricas e que, se calhar, só me surgiram por eu ter estudado jazz. Mas eu não identifico o jazz aqui, de todo. Para já, o jazz é o espírito do “I dare you” — “eu desafio-te”. Acho que, aqui, esse desafio está mais no ouvinte do que propriamente na música. Este disco foi todo gravado isoladamente. Nunca houve músicos a gravar ao mesmo tempo. Foi sempre um de cada vez. Foi aquela produção mesmo individual.

Nesse sentido, compreendo o que estás a dizer. Mas, por exemplo, os teus temas foram todos previamente escritos ou há aqui uma certa dose de improviso na forma como tu crias?

Foi tudo escrito previamente, mas este disco nunca foi a estúdio. Foi todo feito em casa, à excepção das cordas. Só as cordas é que foram a estúdio e foram escritas para serem tocadas daquela forma em estúdio. Também houve um dia em que tive de alugar um estúdio para ir gravar as vozes. Só há uma música que não foi pre-escrita, que é o meu primeiro single, “Grito No Silêncio”, que nasce da seguinte forma: eu escrevi a canção “O Enterro do Sol”, o meu segundo single e levei essa canção para estúdio; pedi aos cantores para a cantarem da mesma forma que eu a compus, da forma que eu a imaginei. Mas, no fim de eles gravarem, pedi tanto ao Pedro Pires como à Beatriz Nunes para ficarem, individualmente, a improvisar — dentro daquela melodia, dentro daquele tom, dentro daquele BPM — e durante o tempo que eles quisessem. Lembro-me que a Beatriz ficou, para aí, uns 10 minutos, e o Pires uma meia hora. Deixei-me estar caladinho, a ouvir. Aquilo ficou ali, para o caso de eu querer usar como interlúdio ou um separador no meio do disco. Não sabia bem o que lhe fazer. Há um dia, em que estou em casa a fazer as lides domésticas — este disco foi sempre trabalhado em casa; andava sempre de phones, com um cabo muita grande, a lavar a loiça, a ir à casa de banho e não sei quê — e estou a escutar a “O Enterro do Sol”. O tema acaba e entram as duas vozes, que o Pires e a Beatriz gravaram aleatoriamente e que não eram, nunca, para estar juntas, mas que naquele dia calhou estarem juntas. E eu não fui desligar a música. Deixei aquilo rolar. Começo a ouvir aquilo. “Olha que giro. Deixa la ver se há aqui alguma coisa fixe.” E há ali um momento em que bate certinho, as duas vozes tal e qual o “Grito No Silêncio”.

Apesar de terem sido gravadas em separado, não é?

Foram gravadas em separado. Mas calhou certinho. É daqueles acasos, estás a ver?

Não há-de ser acaso, porque eles gravaram em cima de uma base que tu lhes deste. Não foi assim?

Não. Eles improvisaram só em cima do metrónomo. Só tinham o tom e o espírito da música, que era o “O Enterro do Sol”. Ouvi aquele bocadinho, deles juntos, e senti que aquilo merecia ali uma grande guitarra. Peguei logo na guitarra. Parei tudo o que estava a fazer. Essa música nasce assim. Foi a música mais rápida de fazer e é a que mais gosto do disco, honestamente. Esse é o único momento do disco que nasce de improviso. Tudo o resto foi, “deixa-me procurar algo específico e isto vai acontecer.”

Há um dado muito curioso e que tu fazes questão de frisar. Este é um disco de confinamento – cada um gravou as suas partes em diferentes espaços – e, no entanto, ele aponta para uma realidade oposta, não essa de estarmos fechados, mas andarmos a vaguear pelo mundo. Até mesmo pelos títulos que deste às canções — “Horizonte”, “Dança Do Fogo”, “Pulsar da Terra”, “Chegada”… Era para aí que a tua imaginação te levava?

Ya. O disco começou a ser feito antes da pandemia, na verdade. Quando a pandemia veio, eu já estava a meio do processo. Ou seja, a pandemia não influenciou o caminho do disco, de todo. Até permitiu que eu o pudesse acabar com mais calma, na verdade. O que a pandemia fez foi obrigar-me a lidar com montes de problemas dentro de mim, que estavam mal resolvidos. Isso influenciou o toque final do disco, na segunda metade do processo criativo do disco. Principalmente na forma como eu ia contar a história. O FOGO NA ÁGUA — essa luta, essa viagem toda — conta muito desse processo. Eu venho de Londres, venho de uma situação na minha vida… Ou seja, eu fugi de Portugal porque queria fugir de mim, dos meus problemas. Mas também porque queria alcançar uma carreira internacional. Depois percebi que não ia ser isso a dar-me felicidade, porque a felicidade é momentânea. Percebi que não são as coisas que estão de fora que nos mudam. Somos nós, aquilo que temos cá dentro. É óbvio que isso nos influencia, nos torna pessoas mais vividas. Mas eu percebi a mensagem. “Não quero estar à procura de troféus, diplomas ou o que quer que seja. ‘Bora. Vou voltar para Portugal e vou fazer a minha luta lá dentro.” FOGO NA ÁGUA é isso. Quando fui para Londres, quase não sabia falar inglês e tinha pouco dinheiro no bolso. “O que é que eu estou aqui a fazer? Onde é que me vim meter?” Foi essa chama, de querer lutar e querer vencer, que me influenciou em dar um nome a esta história. No fundo, foi isso. O “Chamamento”, por exemplo, são os dias em que eu estava em Londres e sentia o mar, o Sol e toda essa cena de Portugal a chamar-me. “Não é aí que deves ficar. Volta.” O “Grito No Silêncio” é como se fosse aquele grito de desespero em Londres. “O que é que eu estou aqui a fazer se só me apetece bazar e gritar por todo o lado? Que estupidez. Que fui eu fazer à minha vida?” E nem é bem assim, porque houve coisas positivas que aconteceram, mas era o meu coração a puxar-me para cá. “O Enterro do Sol” é sobre aquilo de, “como é que um gajo vai sair daqui?”. A “Alma Errante” é a pessoa que decide errar. Só errando, experimentando e tentando é que a gente consegue encontrar um caminho. É ao errar que, por vezes, percebemos que o caminho é para o outro lado. Isso traz algumas cicatrizes, algumas dores dentro de nós, que nos transformam e têm a sua beleza. Esse disco é muito mais isso. Os anteriores eram mais bonitinhos. Um gajo queria ser muito bonitinho e, de repente, é o Sales que já se deixou dessas merdas e já percebeu que a vida também é bonita assim, quando ela é dura e bate.

Há uma dimensão terapêutica neste disco?

Completamente. Foi o processo natural. Eu não decidi que o disco ia sair assim. Na verdade, quando terminei o disco, as músicas até tinham outros nomes, provisórios. No fim, tive de contar a história. E percebi que a minha música é aquilo que eu estava a fazer com a minha vida durante essa fase, que a pandemia ainda veio impulsionar mais. A pandemia veio, “ai é isso que queres fazer? Então não podes e não consegues sair disto. Resolve-te lá com os teus problemas todos.” Tive ataques de pânico e tive de ver um psicólogo. Sempre fugi tanto das minhas coisas, que de repente já nem me lembrava que tinha isto tudo aqui dentro. Já parei de fugir. Tenho mesmo de aprender a lidar com essas coisas cá dentro e esta música ajuda-me a contar essa história.

Estava aqui a olhar para a tua discografia, no Discogs, e são muitos os discos alheios em que te encontramos, alguns deles até lançados muito recentemente — dos Incognito, Bluey, Mario Biondi… Como é que lidas com isso? Ainda te vês a continuar a fazer este tipo de colaborações?

São duas caminhadas diferentes na minha vida. A primeira começou por ser a de músico que toca a música dos outros, que pega na guitarra e toca aquilo que for preciso tocar. É essa carreira que me levou a todos esses discos que mencionas, que partem quase todos da minha colaboração com os Incognito. Esses discos ou são produzidos pelos Incognito ou, de alguma forma, estão relacionadas com os Incognito. É também nessa altura, em que entro para os Incognito, que percebo que quero começar uma carreira a solo. Enquanto essa carreira de músico freelancer está a ter altos frutos — ando a tocar com bué malta, em temas que estão aí a bombar pelo mundo fora — estou a começar uma caminhada diferente. Enquanto guitarrista, eu nunca me vou sentir totalmente satisfeito nem quero parar por aqui. Mas já cheguei àquele ponto de, “já foi fixe. Agora gostava de começar outra coisa.” Então estou muito dedicado à minha carreira enquanto artista e compositor. Vejo-me, sem dúvida, a tocar com outros artistas, mas quero muito mais dedicar o meu tempo à minha carreira de compositor. Eu sempre vi a música como uma forma de arte e essa carreira enquanto guitarrista pouco me serve, porque eu estou a tocar uma música que já foi criada, não estou a fazer nada de novo. Ser artista é diferente, permite-me dizer algo que seja novo. É isso que me interessa: encontrar algo que seja novo. Tem sido essa a minha luta e não tem sido fácil. Também demorei a fazer este disco porque queria isso mesmo, trazer um disco que não fosse mais um disco no meio de tantos. Queria um que me fizesse olhar para trás e, “porra. Este disco é mesmo qualquer coisa de especial.” E também precisei de viver bué, daí ter demorado algum tempo. Acho que as duas carreiras vão sempre continuar, a de freelancer e a de artista, mas tenho muito mais interesse em acabar o resto da minha vida ficado nesta, de artista, porque a arte vive para sempre e é o que me vai deixar imortal. Ser músico a vida toda pode ser fixe, mas…

Estás a trabalhar para a imortalidade dos outros. Eu entendo isso.

Exacto!

Há bocado mostraste-me a tua estante de vinil e imagino que por aí se encontrem algumas das referências que tu tens, não particularmente para este disco, mas certamente referências no teu guitarrismo. Quem dirias que são os teus mestres?

O primeiro de todos, que é aquele que me guia enquanto guitarrista, é aquele que se ouvia mais lá em casa, em família — o David Gilmour. Eu lembro-me de tentar sacar os solos do gajo com uma guitarra acústica e há um dia em que eu me passo, porque quero uma guitarra eléctrica para conseguir tocar aquilo igualzinho. Os primeiros solos que saquei foram dele. Também há um pouco de Gary Moore — o meu pai adorava-o e era o guitarrista favorito dele. E um bocadinho de Santana, porque o Supernatural sai na altura em que eu tenho a minha primeira guitarra. Mas ao nível das referências que a família me trouxe, é mais o David Gilmour. Depois chego à adolescência e começo a descobrir coisas por mim, também porque o YouTube começa a aparecer. Antes não havia YouTube nem Spotify e eu vivia em Viseu, onde não havia muita oferta cultural. É aí que surge um gajo que me abre completamente a cabeça. Lembro-me de ir dar um concerto, estarmos no soundcheck e o técnico de som daquela banda não podia, então foi-se buscar um gajo do Porto que trabalhava na RTP. Esse gajo põe um disco de Pat Metheny, o Imaginary Day, a tocar no nosso soundcheck. Eu lembro-me de ouvir aquela merda e sair a correr do palco para ir ter com o gajo. “O que é isto, meu?!” O gajo começa-se a rir e, “então tu és guitarrista e não sabes quem é este gajo?” Eu fiquei-lhe com o CD. Tive de levar aquele CD. Ouvi-o vezes sem conta. O Imaginary Day continua a ser, para mim, um disco incrível. Aquilo é viajar até não dar mais, completamente. Esse disco tem muita influência na minha carreira enquanto guitarrista e também neste disco que acabo de lançar, eu acho. Depois percebi, “eu tenho de ir estudar jazz. Eu não sou um músico de jazz — isso não está no meu sangue, não é a minha cena — mas eu tenho de ir estudar jazz.” Havia ali todo um mundo de acordes, de melodias, de capacidades para compor coisas fora-da-caixa que eu desconhecia e que só o jazz me deu. Aí começo a descobrir tudo o que possa ser jazz. Começo a descobrir o Wes Montgomery, que é, provavelmente, o melhor guitarrista de sempre. Hoje em dia esse leque aumentou. Tu percebes que, no jazz, há montes de guitarristas incríveis. Agora que o jazz já foi — já o estudei e já o deixei para trás — posso perder noites inteiras a ouvir Paco de Lucia, que ainda hoje não entendo como é possível alguém tocar guitarra assim. Se me perguntares, “gostavas de tocar como quem?” Dizia-te, “ou o Wes Montgomery ou o Paco de Lucia.” Não dá para chegar tão alto. Esses dois gajos partiram tudo. O que eu curti no Pat Metheny não foi o virtuosismo do gajo, de todo. Foi a coragem de ele, através do jazz, trazer uma música não tão jazzística. Porque nem toda a gente gosta daquela sonoridade do jazz. Pessoalmente, não sou grande fã das afinações de bateria do jazz. Ouço na boa, mas gosto de outro tipo de som. E o Pat Metheny traz isso. Traz um som de bateria que não é rock, mas é, se calhar, mais funk e soul. Isso é incrível. O gajo a utilizar as guitarras acústicas, as vozes, os pianos, os pads… Todo esse espectro sonoro é incrível e eu adoro isso no gajo. Há um disco dele que me influenciou muito, o One Quiet Night, que é ele a tocar sozinho à guitarra. Ele influenciou-me muito nas decisões para os meus discos. O meu primeiro disco sou só eu à guitarra só porque eu escutei esse álbum do Pat Metheny. Este novo disco, FOGO NA ÁGUA, não existe porque eu escutei o Imaginary Day. Mas se eu não tivesse escutado o Imaginary Day eu não o teria imaginado com este espectro sonoro tão grande. De repente, eu quis fazer isso — quis ter percussões, vozes, cordas, montes de coisas — e contar uma história em que as nove músicas do disco não têm todas a mesma sonoridade. Elas vão a sítios diferentes, como se tivesses a fazer uma viagem pelo mundo inteiro. Como eu também já viajei para algumas partes do mundo com Incognito, posso ter a minha visão disso. É isso. Mas podia falar de tantos outros, como o Baden Powel. Houve uma altura em que não parava de o ouvir. Também há nomes mais pequeninos, que eu acho que ninguém conhece mas que considero incríveis, tipo o Al Gafa. Descobri um disco dele numa loja, nos Estados Unidos. Também houve uma altura em que só conseguia ouvir Carlos Paredes. Também me lembro do Lenny Breau, que é muito bom. Há dois discos dele que gosto muito, um deles o Five O’Clock Bells é mesmo incrível. Esse gajo foi professor na Berklee e desenvolveu uma técnica específica de tocar guitarra com os harmónicos. É um daqueles gajos que andou aí e pouca gente sabe.

Disseste que este disco foi criado com cada músico em seu sítio e nunca houve um momento em que tenham estado todos em estúdio, a tocar. Mas isso vai ter de acontecer num palco, ou não?

Vai ter de acontecer. Este disco é quase uma orquestra a tocar, porque envolveu muita gente a tocar, mas não vou conseguir fazer isso em palco. Tive de pensar numa banda que fosse altamente reduzida, a chamada “banda de guerra”, com a qual consigo ir a todo o lado e fazer tudo. É claro que vamos ter um bocado de máquina, porque o disco tem uma sonoridade tão cinematográfica que, se formos só os três a tocar, perde-se essa cena. Hoje em dia toda a gente usa máquina. Não usar é que já é estranho. Mas será uma quantidade reduzida. Eu vou apresentar-me com dois seres inacreditáveis. Quando pensei, “preciso ter uma banda”, foi logo destas duas pessoas que me lembrei. Conheci-as no meu percurso de freelancer, de tocar com elas noutras situações. São a Sandra Martins, no violoncelo e na voz, uma das músicas mais incríveis que o nosso país tem, com um coração lindo de morrer e que já tocou com todos – já deves ter visto o nome dela em algum lado, de certeza. O outro é o Edmundo, dos Fogo Fogo, que também sabes quem é, de certeza, nas percussões e na voz. Eu nunca tinha tocado com banda nem nunca tinha tocado com este trio. Fui para o primeiro ensaio com aquela cena de “isto vai correr bem ou não vai?” [Risos] Marquei o primeiro ensaio com bué antecedência para estar seguro e desde esse primeiro dia que sinto que estou com a banda certa. Estou mesmo a acreditar nesta banda e estou desejoso de trazer esta banda para a estrada, para as pessoas poderem ouvi-la. Eles são dois músicos com um coração gigante e que têm a capacidade de, com o seu virtuosismo e bom gosto, tornar a minha música ainda mais apetitosa. Isso só me dá motivos de orgulho. Com o Edmundo, desenvolvemos um kit só para este projecto. Ele já toca bateria em Fogo Fogo e noutros projectos, então quisemos que ele tivesse um kit especial só para este concerto. Fomos buscar um adufe ao José Relvas (o único gajo em Portugal a fazer adufes à moda antiga) e ainda fomos comprar um bombo de Lavacolhos ao último gajo em Portugal que ainda faz estes bombos, também. É um gajo que vive nos confins, lá na Serra da Estrela, no meio do nada. Para ir dar com o gajo foi uma cena… Ele e a mulher a fazerem o bombo para nos entregar… Foi uma viagem [risos]. O Edmundo está com uma cena quase de trovador, com adufe, bombo, um pratinho e uma tarola. A Sandra está tipo voz e violoncelo. Eu assumo as guitarras todas. É basicamente isso.

Depois desta apresentação, estás a ver isto e viajar lá por fora?

Estou. Espero que aconteça. As datas que tenho até agora são todas em Portugal, mas eu quero sempre tocar lá fora. Só que não temos planos nem sei se está alguém a tratar disso. Sei que estamos focados em arrancar com o projecto em Portugal.


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