Funcionários obrigados a trabalhar após morte de colega? Empresa nega

11 meses atrás 190

A empresa onde morreu uma operadora de telemarketing - alvo de indignação por ter alegadamente obrigado os colegas a continuar a atender telefones com o cadáver na sala - nega as acusações, segundo a imprensa espanhola.

Quatro trabalhadores da sala de atendimento disseram ao El País, na segunda-feira, que o que foi publicado "é mentira" porque sugere uma crueldade que eles não experienciaram. Os mesmos referem, ainda, que a ordem para continuar a atender chamadas só foi recebida por alguns trabalhadores individualmente e outros continuaram por "inércia", habituados a um sistema de trabalho automatizado e "desumanizado" em que a opção instintiva é continuar a atender chamadas.

A Konecta já reagiu negando as acusações e afirmando que ninguém foi obrigado a trabalhar ao lado do corpo da mulher. Um porta-voz da empresa refere que estão a prestar apoio à família da vítima, que está bastante afetada com o ruído mediático causado em torno da morte.

"Cuidamos muito bem das pessoas que trabalham para nós. Elas são cuidadas e valorizadas", remata a mesma fonte.

Recorde-se que uma mulher de 57 anos morreu, na terça-feira, num call center onde trabalhava, em Madrid. Segundo reporta o El País, a mulher levantou-se e os seus responsáveis achavam que esta estaria a pedir ajuda para resolver algum assunto relacionado com a chamada que estava atender. Quem precisava de ajuda, porém, era Inma, que sofreu uma paragem cardiorrespiratória e faleceu.

O Samur (equivalente ao INEM) enviou seis viaturas que chegaram entre as 12h43 e as 12h50, mas os médicos nada puderam fazer para salvar Inma, que foi declarada morta meia hora depois de ter recebido os primeiros socorros.

Ainda não é certo o que causou a paragem cardiorrespiratória a Inma. O El País escreve, contudo, que a mulher trabalhava num dos vários call centers pertencentes à multinacional espanhola Konecta. Os operadores que trabalham naquela sala atendem chamadas sobre avarias eléctricas, uma tarefa que descrevem como ingrata porque ouvem gritos, ameaças e insultos de clientes desesperados. O local é grande e barulhento e contém cerca de 70 cubículos.

As pausas dos empregados são calculadas ao minuto e, segundo alguns deles, os supervisores controlam os operadores de telemarketing para que não abrandem o ritmo de trabalho. Inma trabalhava na Konecta há pouco mais de 15 anos.

Após o incidente, os restantes trabalhadores não sabiam como agir: uns continuavam a trabalhar sem levantar a cabeça, outros levantaram-se do lugar.

Vários sindicatos denunciaram que os colegas da funcionária foram obrigados a continuar a trabalhar com o seu cadáver no escritório, alegando-se que o seu serviço era fundamental.

"’Somos um serviço essencial’ E a vida? Existe algo mais essencial do que a vida? A resposta parece clara, mas os factos não indicam isso", denunciam alguns trabalhadores.

O sindicado repudiou as ações da empresa, denunciando a sua falta de "humanidade, empatia e respeito". Exigiu, por isso, que a organização preste apoio emocional e psicológico aos funcionários, tendo realizado uma reunião do Comité de Saúde e Segurança, para apurar responsabilidades.

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