Gomes Cravinho. "Referendos não serão reconhecidos por ninguém"

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"Naturalmente, estes referendos são completamente ilegais e não serão reconhecidos por ninguém. A Rússia já levou a cabo este tipo de estratégia em outros contextos, nomeadamente na Geórgia, mas não haverá nenhum tipo de reconhecimento internacional", disse Cravinho a jornalistas em Nova Iorque, à margem da 77.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU).

"Portanto, a ideia de que a partir do momento em que fazem estes falsos referendos, passemos a falar de território russo na Ucrânia, essa é uma ideia que não tem qualquer cabimento e, portanto, não justificará qualquer atitude nova por parte da Rússia", avaliou.

O chefe de diplomacia portuguesa declarou que os referendos são uma nova forma de agressão à Ucrânia e disse acreditar que a comunidade internacional está a reagir da "forma correta" à ação de Moscovo.

"Agora, do ponto de vista da tentativa de formalizar, da tentativa de criar uma ideia de legalidade nos territórios ucranianos ocupados, ninguém na comunidade internacional reconheceu a anexação da Crimeia e muito menos agora reconhecerá estes territórios sob ataque russo como sendo russos", frisou

Os referendos sobre a adesão dos territórios ucranianos de Donetsk, Lugansk, Zaporijia e Kherson à Federação russa começam hoje e decorrem até 27 de setembro, indicaram as autoridades pró-russas dessas regiões.

O anúncio oficial de realização dessas consultas populares para anexação dos territórios ucranianos sob ocupação russa foi feito num discurso à nação proferido na quarta-feira pelo Presidente russo, Vladimir Putin, juntamente com o da mobilização de 300.000 reservistas russos para combater na Ucrânia e de uma ameaça velada de utilização de armas nucleares contra o Ocidente.

Face a essa mobilização de tropas russas - e consequente necessidade de reorganizar a estratégia da NATO nos países vizinhos da Ucrânia onde concentrou mais meios militares, maquinaria, arsenal de guerra, assim como meios humanos - , Cravinho assegurou "não ver a necessidade" de Portugal aumentar o seu contingente.

"Ainda não estamos a ver essa necessidade. Pode ser que daqui a seis ou oito meses se chegue a outra conclusão, mas para já não acreditamos que esta medida tenha grande eficácia militar. Estamos a falar de mobilização de militares que estavam na reserva para, evidentemente, fazer face às grandes perdas sofridas pela Rússia, embora Putin não admita isso. Mas a lógica só pode ser essa", disse.

"Não acreditamos que venha a ter grandes consequências em termos de capacidade militar russa no curto prazo", observou o líder da diplomacia portuguesa.

Na quinta-feira, Cravinho participou num encontro informal de parceiros transatlânticos, do qual estiveram presentes membros da NATO e o MNE ucraniano, Dmitri Kuleba, e onde a escalada no conflito foi abordada.

"Foi um momento em que nos pudemos, coletivamente, debruçar sobre os últimos desenvolvimentos por parte da Rússia. Aquilo que posso dizer é que há uma determinação coletiva relativamente à ideia de que não podemos sucumbir às tentativas de intimidação por parte da Rússia", afirmou.

"Pelo contrário, aquilo que nós temos de fazer enquanto NATO é cerrar fileiras, continuar a dar apoio aos Estados que têm fronteira com a Rússia. E, por outro lado, também acentuar mais as nossas sanções, inevitavelmente, face a esta fuga para a frente de Putin", acrescentou Cravinho.

O ministro assegurou ainda não haver qualquer indicação da necessidade de uma reunião extraordinária da NATO, "porque estamos todos convencidos que estamos a fazer exatamente aquilo que é necessário", disse.

João Gomes Cravinho e o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Francisco André, acompanharam o primeiro-ministro, António Costa, na deslocação a Nova Iorque, por ocasião da 77.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas.

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