Greve na Carris. “Talvez seja melhor apanhar o Metro…”

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reportagem

11 jul, 2024 - 10:52 • João Cunha

Greve na Carris deixou milhares de pessoas “atrapalhadas”, sem saber como chegar esta manhã ao trabalho. Sobretudo as que não têm transporte alternativo. À tarde o cenário repete-se.

Veio da estação de Benfica, da linha ferroviária de Sintra, para apanhar, como todos os dias, o 750, para Algés, que a deixa em Alfragide, à porta do emprego. Atravessa as passadeiras e dá de caras com uma paragem de autocarro onde estarão cerca de 250 pessoas.

“Agora é só esperar pelo autocarro. Quando ele aparecer, vamos”, dizia, esperançada, Paula Monteiro, que não sabia da greve.

Confrontada com a notícia, encolheu os ombros e admitiu que, “sendo preciso”, e como não trabalha longe, fará o percurso a pé.

“Não trabalho longe, é em Alfragide”, dizia, enquanto tirava o casaco porque o calor já apertava e se fazia ao caminho. Uma hora depois, às dezenas de pessoas à espera juntaram-se outras tantas dezenas, acabando por levar a fila para uma rua adjacente, próxima da esquadra de polícia.

No meio da fila, ou melhor, na amálgama de habituais utentes da Carris entretanto espalhados junto á paragem, Humberto do Rosário, são-tomense há dois meses em Portugal. Estava aflito para chegar ao trabalho.

“O meu patrão já me ligou, a perguntar o que está a acontecer. Vou para Algés e não tenho outra alternativa para chegar. Deixo tudo na mão de Deus”. Mas nem a fé o salvou.

Entretanto, sucedem-se as paragens de veículos TVDE frente à paragem, para levarem, em grupos de quatro, trabalhadores da construção civil que há muito deveriam ter comparecido ao serviço.

E eis que chega um autocarro para o Bairro Padre Cruz. Poucos de chegam à frente para entrar no 729 porque a maioria o que quer mesmo é ir para Alfragide, Carnaxide ou Algés.

E as alternativas não existiam.

Situação diferente tinham os habituais utentes como Emanuel Cruz, que estava encostado na Avenida da República a um dos pilares da estação ferroviária de Entrecampos, à espera de um autocarro.

“Eh pá! Não sabia da greve. Vim de férias e não sabia. Talvez seja melhor apanhar o metro, ainda que possa ir cheio”. E lá atravessa a rua para apanhar o metropolitano, logo ali, na estação de comboios.

Ao fim da fila que se foi formando chega Manuela Duarte.

“Eu estava a tentar ver o horário. Sei que hoje é dia de greve, mas arrisquei”, admite, garantindo que, necessariamente, tem de apanhar um autocarro para chegar ao emprego.

Tinha. Porque a opção acabou por ser um taxi.

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