Guerra no Médio Oriente. A escalada do conflito entre Irão e Israel ao minuto

1 mes atrás 52

A resolução tinha sido apresentada pela Argélia e recolheu 12 votos favoráveis, o voto contra dos Estados Unidos e duas abstenções, do Reino Unido e da Suíça.

A presidência da Autoridade Palestiniana considerou o chumbo "injusto, antiético e injustificado". O embaixador de Israel aplaudiu os Estados Unidos pelo uso do veto a uma "proposta vergonhosa".

O chumbo norte-americano já era esperado, depois do porta-voz do Departamento de Estado, Vedant Padel, ter justificado durante a tarde a decisão de chumbar a proposta.

"Fomos muito claros ao dizer que ações prematuras em Nova Iorque, embora tenham as melhores intenções, não conseguirão que a Palestina seja reconhecida como um Estado", afirmou Padel numa conferência de imprensa em Washington.

Na opinião dos Estados Unidos, sublinhou o porta-voz, a Palestina não cumpre as condições para poder ser considerada um Estado-membro da ONU.

"O [movimento islamita palestiniano] Hamas, uma organização terrorista, é que está a exercer o poder e a influência" na Faixa de Gaza, sustentou Padel.

Para Washington, o reconhecimento da Palestina enquanto Estado deve ser fruto de um entendimento entre palestinianos e israelitas.

Enquanto um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, com poder de veto, os Estados Unidos podem bloquear efetivamente o reconhecimento da Palestina como membro da ONU, mesmo que todos os outros Estados lhe sejam favoráveis.

O porta-voz do Departamento de Estado norte-americano afirmou ainda que, se a Palestina for autorizada a aderir à ONU, os Estados Unidos "retirarão" o seu financiamento.

Os Estados Unidos são atualmente o país que mais contribui para a ONU, tendo entregado à organização mais de 18 mil milhões de dólares (16,9 mil milhões de euros) no ano passado.

Favoráveis

Sem a aprovação do Conselho de Segurança, o passo seguinte, de submeter a candidatura à aprovação da Assembleia Geral da ONU, fica automaticamente sem efeito.

Para ser aprovada, uma resolução requer nove votos a favor (dos dez membros não-permanentes do órgão) e que nenhum dos cinco membros permanentes se lhe oponha.

Dos países que usaram da palavra esta tarde, pronunciaram-se claramente a favor da admissão do Estado palestiniano a Rússia, a China, a Argélia, Malta, a Eslovénia, a Serra Leoa, Moçambique e a Guiana.

De forma mais ambígua expressaram-se o Reino Unido, França, o Japão, a Coreia do Sul e o Equador.

A resolução em prol da admissão do Estado palestiniano nas Nações Unidas foi apresentada pela Argélia, em nome do Grupo Árabe da ONU, e suscitou um apoio unânime dos países muçulmanos e dos não-alinhados, além de alguns europeus, como é o caso de Espanha.

Os palestinianos têm estatuto de observador das Nações Unidas desde 2012 e procuram há anos adquirir a plena titularidade, que equivaleria ao reconhecimento estatal.

A guerra em Gaza e o apoio internacional à causa palestiniana, conseguido nos últimos meses em resultado da devastação causada pelas operações israelitas contra o Hamas, criaram as condições para o reconhecimento da palestina enquanto membro voltar a marcar a agenda das Nações Unidas.

António Guterres quer Palestina "independente"

Esta tarde, na abertura da reunião ministerial de debate sobre a resolução, o secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu a o "estabelecimento de um Estado Palestiniano totalmente independente" a par de Israel, e alertou para a "responsabilidade a obrigação moral de ajudar" da comunidade internacional.

De acordo com Guterres, o reconhecimento do Estado da Palestina é a pré-condição essencial para acalmar as tensões em toda a região e fora dela, numa altura em que a retórica entre o Irão e Israel ameaça degenerar num "conflito generalizado".

O secretário-geral referiu especificamente o impacto do recente bombardeamento direto do Irão contra Israel, condenado pela comunidade internacional.

"Um erro de cálculo, uma má comunicação, um desprezo, podem levar ao impensável, um conflito regional generalizado que seria devastador para todos os envolvidos e para o resto do mundo", avisou o líder da ONU, condenando nomeadamente o ataque iraniano, sem precedentes, no fim-de-semana passado.

"Este momento de máximo perigo deve ser um momento de retenção máxima", apelou. "Já é tempo de por um fim a este ciclo sangrento de represálias".

com Lusa

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