Homenagens a Navalny removidas durante a noite. Veja o vídeo

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Homenagens florais a Alexei Navalny, o mais feroz inimigo do presidente Vladimir Putin, foram removidas durante a noite por grupos de pessoas não identificadas, mostram vídeos nas redes sociais que pode ver acima

Mais de 400 pessoas foram detidas em cidades de toda a Rússia depois de terem depositado flores em memória de Navalny, segundo o OVD-Info, um grupo que monitoriza a repressão política na Rússia.

A morte súbita de Navalny, aos 47 anos, foi um golpe para muitos russos, que tinham depositado as suas esperanças para o futuro neste crítico de Putin.
 
Navalny manteve-se firme na sua crítica implacável ao Kremlin, mesmo depois de ter sobrevivido a um envenenamento por um agente nervoso e de ter sido condenado a várias penas de prisão.

A notícia da sua morte repercutiu-se em todo o mundo e, na sexta-feira e no sábado, centenas de pessoas em dezenas de cidades russas acorreram com flores e velas a memoriais e monumentos improvisados em homenagem às vítimas da repressão política.

Ontem, a polícia bloqueou o acesso a um memorial na cidade siberiana de Novosibirsk e deteve várias pessoas no local, bem como noutra cidade siberiana, Surgut, disse o OVD-Info.

Entre os detidos encontra-se Grigory Mikhnov-Voitenko, um sacerdote da Igreja Ortodoxa Apostólica - um grupo religioso independente da Igreja Ortodoxa Russa - que anunciou nas redes sociais planos para realizar uma cerimónia em memória de Navalny.

Mikhnov-Voitenko foi detido no sábado de manhã à porta de sua casa, acusado de organizar uma manifestação, e foi colocado numa cela de detenção numa esquadra da polícia, mas mais tarde foi hospitalizado com um AVC.

A morte de Navalny aconteceu um mês antes das eleições presidenciais na Rússia, que deverão permitir mais seis anos no poder ao Presidente Vladimir Putin. As dúvidas sobre a causa da morte persistiam hoje e não se sabia quando é que as autoridades iriam entregar o corpo à família.

A equipa de Navalny afirmou no sábado que o político foi assassinado e acusou as autoridades de atrasarem deliberadamente a libertação do corpo, tendo a mãe e os advogados de Navalny recebido informações contraditórias de várias instituições onde se deslocaram para recuperar o corpo.

"Tudo ali está coberto por câmaras na colónia [penal]. Cada passo que ele deu foi filmado de todos os ângulos durante todos estes anos. Cada empregado tem um gravador de vídeo. Em dois dias, não houve uma única fuga de informação ou publicação de um vídeo. Não há espaço para incertezas aqui", disse hoje o aliado mais próximo e estratega de Navalny, Leonid Volkov.

Uma nota entregue à mãe de Navalny afirma que ele morreu às 14h17 de sexta-feira.

Os funcionários da prisão disseram no sábado à mãe do opositor russo que o filho tinha morrido de "síndrome de morte súbita", escreveu Ivan Zhdanov, diretor da Fundação Anticorrupção de Navalny, na rede social X, anteriormente conhecida como Twitter.

Navalny estava preso desde janeiro de 2021, quando regressou a Moscovo após ter recuperado na Alemanha do envenenamento por um agente nervoso, que atribuiu ao Kremlin.

Recebeu três penas de prisão desde a sua detenção, por uma série de acusações que rejeitou, considerando que na realidade tinham motivações políticas.

Após o último veredicto, que lhe aplicou uma pena de 19 anos, Navalny disse que compreendia que estava "a cumprir uma pena de prisão perpétua", que se media pela duração da sua vida ou pela duração da vida do regime.

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