Irlanda do Norte em alerta: número de católicos ultrapassa o de protestantes

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Segundo os estudos que acompanham os censos de 2021 divulgados esta quinta-feira, já era esperado que houvesse uma mudança relativa entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte e essa mudança acaba de se consumar: os católicos superam os protestantes na Irlanda do Norte pela primeira vez.

Citados pelo jornal “The Guardian”, os resultados foram descritos como “um momento seminal” pelos líderes dos partidos republicanos irlandeses – que são a favor da separação do Reino Unido e da reunificação da Irlanda numa república que agregue toda a ilha. E são os republicanos que estão no poder na Irlanda do Norte desde as últimas eleições de maio deste ano, que ditaram a vitória do Sinn Féin.

Como é tradicional, a população católica – que historicamente sofreu as mesmas perseguições de que eram alvo os protestantes que viviam no continente – vota maioritariamente nos republicanos e só residualmente nos unionistas. Ou seja, partidos como o Partido Unionista Democrático (DUP), tradicional aliado dos conservadores britânicos e vencedor de dezenas de eleições, podem agora começar a ter alguma dificuldade de voltar ao poder.

Citado pela imprensa britânica, John Finucane, um membro proeminente do principal partido republicano, o Sinn Fein, pediu preparativos para a “possibilidade de um referendo sobre a unidade” – juntando-se assim a um movimento idêntico que existe com assinalável força na Escócia: a sua primeira-ministra, Nicola Sturgeon é membro do Partido Nacional Escocês, firme adepto da separação. “A partição da Irlanda foi um fracasso. Podemos construir juntos um futuro melhor, para cada pessoa que vive nesta ilha”, disse o deputado após o anúncio dos resultados do censos.

Evidentemente que nem todos os católicos são republicanos – como com certeza nem todos os protestantes são unionistas – mas este dado, a acrescentar à vitória do Sinn Féin, não pode deixar descansados os políticos de Londres. Que, ainda por cima, sabem que a capacidade de o rei Carlos III manter a integridade do território não será com toda a certeza a mesma da da sua mãe, a recentemente desaparecida Isabel II.

Pior ainda, os irlandeses – republicanos, unionistas ou quaisquer outros – têm bastas razões para se sentirem incomodados com a forma como o poder de Londres os tem tratado desde que o referendo ao Brexit impediu a continuação na União Europeia. O Protocolo da Irlanda é a pior parte do Brexit – dizem os de cá e os de lá do Canal da Mancha – e ao cabo de muitos meses ainda ninguém conseguiu encontrar uma forma de solucionar o problema. Por uma razão simples: porque não há uma forma de solucionar o problema – a não ser que, por artes mágicas, a fronteira entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda possa estar ao mesmo tempo aberta e fechada.

Ao mesmo tempo, os norte-irlandeses observam a República da Irlanda como o país da União Europeia com os índices de crescimento do PIB mais interessantes dos 27 e por certo hão-de questionar-se sobre se haverá uma boa razão para não estarem inseridos nesse mundo. Um tema que com certeza marcará a agenda política de Liz Truss no futuro imediato.

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