Lucros do Crédito Agrícola caem 27% para 93,8 milhões de euros

2 semanas atrás 21

O Crédito Agrícola obteve lucros de 93,8 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, o que representa uma descida de 27,3% em comparação com o mesmo período do ano passado. Já a rentabilidade dos capitais próprios situou-se nos 6,3%.

“A variação homóloga verificada no resultado líquido foi influenciada pelos resultados, não recorrentes, obtidos nos primeiros nove meses de 2021, relacionados com ganhos líquidos com operações financeiras, no valor de 56,7 milhões de euros (51,3 milhões de euros no primeiro trimestre de 2021)”, refere o banco no comunicado divulgado esta quinta-feira.

O resultado deve-se também, diz o Crédito Agrícola, a “juros retroativos, referentes a 2020, no valor de 8,0 milhões de euros recebidos no primeiro trimestre de 2021 no âmbito do programa financeiro do BCE – TLTRO”. Nos primeiros nove meses deste ano, o resultado das operações financeiras registou uma quebra de 61,2 milhões de euros face ao período homólogo.

Neste período, o produto bancário core registou um crescimento de 21,2% para 446,4 milhões de euros. “Este crescimento foi impulsionado, em grande medida, pela evolução da margem técnica do negócio segurador que apresentou um crescimento homólogo de 48,7 milhões de euros”, refere o banco, apontando ainda para o crescimento de de 28,5% nas comissões líquidas perante o “aumento da transacionalidade de clientes e pelo crescimento observado no crédito”.

Por outro lado, a margem financeira avançou 2,7% graças ao “aumento do volume do ativo, nomeadamente da carteira de títulos de crédito bruto, e ao aumento da taxa de juro média das aplicações financeiras, refletindo a evolução das taxas de mercado e a atualização dos instrumentos de cobertura de risco de taxa de juro contratados”.

Quanto aos custos de estrutura, o banco registou um aumento de 6,3% para 291,2 milhões de euros nos primeiros nove meses, devido ao acréscimo de 12,3% dos gastos gerais administrativos perante o aumento da atividade, digitalização de processos e resposta a requisitos regulamentares. Os custos com pessoal cresceram 3,8%, refletindo a atualização da tabela salarial em relação a 2021 e 2022, reconhecida a partir do segundo trimestre deste ano.

No decorrer dos primeiros nove meses de 2022, as imparidades e provisões do exercício apresentam um reforço líquido de 23 milhões de euros, o que compara com uma reversão de 5,8 milhões de euros verificado nos primeiros nove meses de 2021, resultando, assim, num acréscimo de 28,8 milhões de euros face ao período homólogo.

“O comportamento desta rubrica é justificado, essencialmente, pelo acréscimo de 20,4 milhões de euros nas imparidades de crédito e pelo reforço de 4,5 milhões de euros de imparidades da carteira de títulos. Estes acréscimos foram, apenas, parcialmente compensados pela rubrica de outras imparidades que registou uma diminuição no montante de 1,2 milhões de euros”, detalha a instituição financeira, numa altura em que o sector se prepara para responder ao contexto atual de aumento dos custos para as famílias.

O custo do risco de crédito (não anualizado) cifrou-se em 0,16%, o que representa um aumento de 17 pontos base, resultando do reforço das imparidades específicas de crédito constituídas durante este período, no montante de 20,4 milhões de euros.

Apesar do contexto, o banco continua a “encolher” o rácio de crédito malparado. O rácio de Non Performing Loans (NPL) situou-se nos 5,9%, face a 7,2% no final de 2021 e a 7,6% no período homólogo.

A carteira de crédito (bruto) a clientes registou um crescimento homólogo de 2,2% para 11,9 mil milhões de euros, enquanto os recursos de clientes sob a forma de depósitos bancários ascendem a aproximadamente 20,2 mil milhões de euros, registando-se um crescimento de 8,6% face ao período homólogo.

Quando ao capital, os rácios common equity tier 1 (CET1) e de fundos próprios totais situam-se nos 18,1%.

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