Moradores da freguesia da Misericórdia empenhados na reconquista das suas ruas

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Ter estacionamento para as bicicletas dos moradores junto a prédios onde é difícil guardar os velocípedes, reforçar as carreiras da Carris e cobrar mais a não moradores pelo estacionamento no bairro são algumas das propostas de vizinhos e comerciantes da freguesia da Misericórdia, apresentadas num encontro na Praça das Flores que se realizou nesta quinta-feira ao final do dia.

A reunião, que ocorreu no âmbito do projecto Superbairro Por Um Dia e que contou com a presença das associações Lisboa Possível, Zero e da Junta de Freguesia da Misericórdia, pretendeu disponibilizar aos moradores um espaço de debate sobre os problemas de freguesia. Juntou cerca de 30 pessoas e houve oportunidade para os vizinhos e lojistas partilharem as suas preocupações e sugestões sobre temas tão variados como barulho, caminhar, brincar, transportes e até respirar.

Os moradores da Misericórdia mostraram-se preocupados com o intenso trânsito automóvel e a falta de transportes públicos na freguesia. Entre as propostas sugeridas foram mencionadas a criação de espaços de estacionamento próprios para trotinetes e bicicletas eléctricas e a instalação de pontos de estacionamento para bicicletas exclusivos para residentes perto de prédios de difícil acesso, de forma a facilitar a utilização deste meio de transportes alternativo. Falou-se também na necessidade de serem respostas carreiras da Carris que entretanto desapareceram e a possível cobrança de uma maior taxa de estacionamento para os não residentes numa tentativa de diminuir o número de carros na freguesia.

O ruído dos bares e restaurantes foi também um dos problemas em destaque no encontro, suscitando propostas como a limitação do horário de barulho e música nestes estabelecimentos, medida já implementada pela Junta da Misericórdia em algumas áreas da freguesia, e também a obrigação do cumprimento da Lei do Ruído e, consequente multa para quem não a cumprir, apelando a uma maior fiscalização por parte das autoridades.

As propostas contaram também com a menção à construção de locais próprios para os animais fazerem as suas necessidades e um maior número de equipamentos destinados às crianças permitindo-lhes ter um espaço próprio para brincar.

Ksenia Ashrafullina, uma das responsáveis pelo movimento Lisboa Possível, apelou ainda a uma maior comunicação para facilitar o desenvolvimento do projecto Superbairro Por Um Dia nas ruas junto à Praça das Flores. “Esperamos que a Câmara Municipal de Lisboa fale connosco e com a junta e que estejam do nosso lado”, disse ao PÚBLICO. Esta iniciativa tem o objectivo de colocar em prática as propostas dos moradores e, em Outubro, organizar um dia em que as ruas voltam a ser um espaço destinado apenas ao convívio das pessoas e às brincadeiras das crianças. Não há ainda data fechada porque, dizem, ainda aguardam resposta da Polícia Municipal ao pedido de autorização para encerrar as ruas ao trânsito.

Pedro Duarte, vogal do executivo da Junta de Freguesia da Misericórdia, sublinhou durante o encontro o interesse da junta em trazer os problemas para a rua como uma forma dos moradores puderem expor as suas preocupações. “Acredito que só é possível fazer algo com a ajuda da população porque só assim é possível fazer mais e melhor”, disse.

Texto editado por Ana Fernandes

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