Morreu Mimi Parker, vocalista e baterista dos Low

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Fotografia: Direitos Reservados

Publicado a: 07/11/2022

Dias menos bons.

Fotografia: Direitos Reservados

Publicado a: 07/11/2022

Mimi Parker, fundadora dos Low, banda crucial do indie rock, morreu aos 55 anos. O anúncio foi feito nas redes sociais pelo seu marido e colega de grupo Alan Sparhawk. Parker foi diagnosticada com cancro nos ovários em 2020.

“Amigos, é difícil pôr o universo em palavras e numa mensagem curta, mas ela faleceu ontem à noite, rodeada pela família e amor, incluindo o vosso. Mantenham o nome dela sagrado e perto de vós. Partilhem este momento com alguém que precisa de vocês. O amor é realmente a coisa mais importante”, escreveu-se no Twitter dos Low.

Parker nasceu em 1967 perto de Bemidji, no estado do Minnesota, nos EUA. Ao lado da sua irmã, começou a experimentar desde cedo com harmonias ao som de discos antigos de country e gospel, dando os primeiros passos pela base harmónica de muitas das canções dos Low: a sua voz.

Em 1993, ao lado de Sparhawk (que conheceu na escola primária) e do baixista John Nichols, Parker formou os Low. Em 1994, a banda lançou I Could Live in Hope, um trabalho em que os seus arranjos minimalistas e lentos — e as harmonias de voz a revelarem-se essenciais para a sua atmosfera de beleza imensa — foram o primeiro marco de um repertório em que a originalidade e inovação andaram sempre de mãos dadas. 



Durante os 29 anos de existência dos Low, membros do grupo entraram e saíram, mas Sparhawk e Parker mantiveram-se fiéis enquanto núcleo – em 2021 apresentaram-se oficialmente enquanto duo. Ao longo desse período, os Low lançaram 13 LPs, mantendo viva a chama de explorar diferentes universos sonoros e componentes estilísticas, do slowcore à country mais alternativa, da dream pop ao pós-rock. 

Explorar a discografia dos Low é ser-se surpreendido constantemente pela sua criatividade. A sua música soa a refúgio, um espaço onde nenhuma melancolia se perde no meio de expansões sonoras e experimentações assombrosas. Álbuns como o seu de estreia ou Things We Lost in the Fire mantêm-se como marcos absolutos do slowcore, enquanto registos como Secret Name ou Trust mostram o cunho dos Low de ir além do esperado.

Nos dois mais recentes discos da banda, Double Negative, de 2018, e HEY WHAT, lançado em 2021, os Low exploraram o universo da eletrónica mais textural, da desconstrução sonora e das manipulações digitais, num revitalizar de sonoridade e criatividade do qual surgiu nova aclamação por parte da crítica e fãs.

Mimi Parker deixou-nos, mas o seu impacto na música manter-se-á vivo daqui para a frente pela legião de fãs e admiradores que irão continuar a fazer as canções dos Low ouvirem-se por aí. O amor e carinho deixado em gravação assim o justifica.


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