Os números da tragédia incessante dos refugiados e deslocados

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No Dia Internacional dos Refugiados, eis alguns números que dão conta da tragédia incessante dos refugiados e deslocados, com base no relatório anual do Alto-comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), denominado "Tendências Globais das Deslocações Forçadas 2022":

- O número de pessoas deslocadas por guerras, perseguições, violência e violações dos direitos humanos atingiu um recorde de 108,4 milhões em 2022, mais 19,1 milhões do que no ano anterior;

- Do total global de deslocados no ano passado, 35,3 milhões eram refugiados - ou seja, pessoas que atravessaram uma fronteira internacional em busca de segurança - enquanto uma percentagem maior (58%), ou seja, 62,5 milhões de pessoas, eram deslocadas internas devido a conflitos e violência e eventos relacionados com a crise do clima;

- A guerra na Ucrânia foi o principal fator de deslocação em 2022: O número de refugiados da Ucrânia aumentou de 27.300 no final de 2021, para 5,7 milhões no final de 2022, o que representa o fluxo mais rápido de refugiados em qualquer lugar desde a Segunda Guerra Mundial;

- Mais de metade de todos os refugiados (52%) no mundo provém de apenas três países: Síria (6,5 milhões), Ucrânia (5,7 milhões) e Afeganistão (5,7 milhões);

- O recente conflito no Sudão desencadeou novos fluxos de saída, elevando o total global para cerca de 110 milhões em maio de 2023;

- Cerca de 76% dos refugiados e outras pessoas com necessidade de proteção internacional estão alojados em países de baixos recursos: 46 dos países menos desenvolvidos - que representam menos de 1,3% do produto interno bruto (PIB) mundial - acolheram mais de 20% do número total de refugiados;

- Em 2022, mais de 339 mil refugiados regressaram aos seus países e, apesar do número ser inferior ao do ano anterior, registaram-se regressos voluntários significativos a países como Sudão do Sul, Síria, Camarões e Costa do Marfim; 5,7 milhões de pessoas deslocadas internamente regressaram em 2022, nomeadamente na Etiópia, Myanmar, Síria, Moçambique e na República Democrática do Congo;

- No final do ano passado, estimava-se que 4,4 milhões de pessoas em todo o mundo eram apátridas ou de nacionalidade indeterminada, mais 2% do que no final de 2021.

"Estes números mostram-nos que algumas pessoas são demasiado rápidas a precipitar-se para o conflito e demasiado lentas a encontrar soluções", disse o alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi, a propósito do lançamento do relatório do ACRNU.

"A consequência é a devastação, a deslocação e a angústia de cada um dos milhões de pessoas que foram arrancadas à força das suas casas", adiantou.

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