Paula Franco: Fisco tem de manter atendimento "olhos nos olhos"

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"Os serviços públicos estão para servir o público, portanto, tem que haver um serviço olhos nos olhos, a analisar situações que são complexas e a resolvê-las", defende a bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados.


Em entrevista ao Negócios e à Antena 1, Paula Franco lamenta que atualmente seja "tudo muito impessoal" e que a tendência seja o atendimento ser  "cada vez mais à distância, com alguém para analisar a situação antes e não na resolução imediata". Na sua opinião, "o serviço público deve estar ao serviço do público e inclui serviço presencial e serviço quando o contribuinte precisa, não é quando há vaga". 

A bastonária referia-se ao facto de, nos Serviços de Finanças, grande parte do atendimento ser feito apenas por marcação, com grande aposta no digital e dificuldades para quem opta por se dirigir pessoalmente aos serviços. "O contribuinte privado tem imensa dificuldade em fazer marcações, porque tem que ter sistemas, tem que ter acessos, tem que ligar, tem que marcar. Se chega a um serviço de finanças agora, já há um período do dia em que, de facto, há atendimento para quem não tem marcações, porque após muita pressão sobre a autoridade tributária voltou a existir, mas ainda assim é aquém" do que era preciso, descreve.

Desde a pandemia "os serviços nunca mais funcionaram da mesma maneira", afirma. "É verdade que aquilo que sentimos e que também nos é dito por parte da Autoridade Tributária é que cada vez tem menos funcionários para estar no atendimento, mas isso é um problema que o Estado também tem que resolver, não cabe ao contribuinte resolver", acrescenta.

Ainda assim, Paula Franco considera que "está melhor a relação da AT com o contribuinte" e que "há um esforço muito grande" da AT nesse sentido."Diminuiu um pouco as coimas, a forma de aplicação, há a dispensa da coima" e tudo isso "traz uma relação completamente diferente com o contribuinte", descreve a bastonária. "Mas, obviamente, que a autoridade tributária ainda é uma entidade muito pesada junto dos contribuintes". 

E se, em matéria de sistema informático, "a Autoridade Tributária, apesar de tudo, hoje está a funcionar muito melhor do que já funcionou no passado", já no caso da Segurança Social, "está, muitas vezes, do ponto de vista informático, inoperacional, o que causa muitos constrangimentos", lamenta.

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