Pequenas e com menos casamentos. A estatística está contra as famílias portuguesas

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14 mai, 2022 - 08:30 • Henrique Cunha

Em seis décadas, o país mudou e o número de matrimónios caiu a pique, quase para metade, e a dimensão média das famílias portugueses encolheu. Dia Internacional da Família assinala-se no domingo.

Famílias cada vez mais pequenas, menos casamentos e cada vez mais tarde na vida. Estes são alguns indicadores demográficos de Portugal para conhecer na véspera do Dia Internacional da Família, que se comemora no domingo.

Uma constante desde meados do século passado é a da diminuição do número médio de pessoas por família. No Censos de 2011, cada agregado era composto em média por 2,6 pessoas. Um número que em 2019, antes do início da pandemia, chegou aos 2,5 e que no ano passado se situava em 2,7.

Entretanto, de acordo com a Pordata – a base de dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos - em 1920, cada família era constituída, em média, por 4,2 pessoas. Em 1960, passados 40 anos, a média desceu para 3,7 e no início deste século, em 2001, já estava apenas em 2,8.

Outro dado revelante quanto à forma como a sociedade encara a constituição de uma família é-nos revelado pela idade média de casamento dos portugueses. Em 1960, um homem casava aos 26,9 anos e uma mulher aos 24,8. Em 2021, o homem contrai matrimónio aos 34,3 anos e a mulher quase com 33.

Ou seja, Portugal tem famílias cada vez mais pequenas, porque, para além das dificuldades económicas, há um fator social muito revelante: os portugueses casam cada vez mais tarde.

E o reflexo desta realidade é também visível no número de casamentos. Em 1960, Portugal registou 69.457 casamentos. Número reduzido para menos de metade em 2019, ano em que se verificaram 33.272.

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A secularização da sociedade portuguesa é também retratada no número de casamentos católicos. Por exemplo, em 1990, dos mais de 71.600 casamentos realizados, quase 52 mil foram católicos. Ao invés, em 2019 registaram-se 32.500 matrimónios, sendo que apenas 10.037 foram "pela Igreja".

Ou seja, e recorrendo ainda à estatística da Pordata, verifica-se que em 1960 registaram-se apenas 9% de casamentos não católicos. Um número que sobe para mais de 69% em 2019 e atinge os 71,5% em 2021.

A transformação que se vem operando pode também ser lida à luz dos números das "uniões de facto" que, de acordo com o Censos de 2001, representavam 4,3% da população residente em Portugal com mais de 15 anos. Nesse ano havia um pouco mais de 380 mil pessoas a viver em união de facto. Em 2011, e ainda de acordo com o Censos, o número quase que duplicou, passando para 729.800 pessoas, ou seja 8,1% da população residente com mais de 15 anos.

Importa também introduzir na equação o casamento entre pessoas do mesmo sexo, cuja legislação foi aprova pelo Parlamento a 8 de janeiro de 2010. Nesse ano registaram-se 266 casamentos e o número anual foi subindo até 2019, ano em que aconteceram 677.

A realidade das famílias portuguesas é também fortemente condicionada pelo aumento de casos de divórcio. Em 1960 Portugal teve 749 separações, a grande maioria de casamentos civis (680), e atingiu em 2019, antes do início da pandemia, as 24.021.

E se em 1960 a grande maioria dos divórcios ocorreu entre pessoas casadas pelo civil, em 1975 - um ano depois do 25 de Abril - os números começaram a equilibrar-se, sendo que das 1.552 separações registadas 723 foram de casamentos católicos.

Na atualidade há um grande equilíbrio no número de divórcios de casamentos civis e católicos. Em 2020, foram registado mais de 17 mil divórcios em Portugal: 8.490 de casamentos civis e 8.692 casamentos pela Igreja.

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