Presidente do Partido Conservador britânico demite-se após resultados eleitorais “muito maus”

1 semana atrás 18

Numa carta endereçada a Boris Johnson, Oliver Dowden apresentou a sua demissão dizendo que "alguém tem de assumir a responsabilidade". O Partido Conservador tem vindo a acumular resultados negativos.

epa09843663 Minister without Portfolio and Co-Chairman of the Conservative Party Oliver Dowden attends a cabinet meeting in Downing Street in London, Britain, 23 March 2022. Chancellor of the Exchequer Rishi Sunak will make his Spring Statement, an annual statement made by the Chancellor of the Exchequer to the House of Commons providing an update on the overall health of the economy.  EPA/NEIL HALLi

O partido perdeu os círculos eleitorais de Tiverton, Honiton e Wakefield nas legislativas parciais de quinta-feira

NEIL HALL/EPA

O partido perdeu os círculos eleitorais de Tiverton, Honiton e Wakefield nas legislativas parciais de quinta-feira

NEIL HALL/EPA

O presidente do Partido Conservador britânico, Oliver Dowden, apresentou esta sexta-feira a demissão ao primeiro-ministro Boris Johnson, depois de uma série de resultados eleitorais “muito maus”, incluindo as derrotas nas eleições legislativas parciais de quinta-feira.

Essas derrotas “são as últimas de uma série de resultados muito maus para o nosso partido”, escreveu Dowden numa carta endereçada ao primeiro-ministro, acrescentando que “alguém tem de assumir a responsabilidade“.

Nas legislativas parciais de quinta-feira, vistas como um teste à popularidade de Boris Johnson junto dos eleitores, os Conservadores perderam o círculo eleitoral de Tiverton e Honiton para os liberais democratas e o de Wakefield para o principal grupo da oposição, o Partido Trabalhista.

Popularidade de Boris Johnson testada em duas eleições para o parlamento 

Em Wakefield, no norte de Inglaterra, estava em jogo o que era tradicionalmente um bastião trabalhista, mas que foi conquistado pelos Conservadores em dezembro de 2019, contribuindo para a maioria absoluta dos ‘tories’.

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A eleição foi desencadeada pela demissão do deputado Imran Khan, que foi condenado a 18 meses de prisão por assédio sexual de um rapaz de 15 anos.

O círculo eleitoral foi continuamente mantido pelos Trabalhistas entre 1932 e 2019, mas o forte apoio local ao Brexit beneficiou os Conservadores.

Em Tiverton e Honiton, uma circunscrição eleitoral no sudoeste de Inglaterra que pertencia aos ‘tories’ desde que foi criada, em 1997, os eleitores votaram para escolher o sucessor de Neil Parish.

O deputado de 65 anos demitiu-se após ter admitido ver pornografia no telemóvel enquanto estava no parlamento.

O antigo agricultor de profissão alegou ter entrado numa página para adultos por engano enquanto procurava tratores e que depois, num “momento de loucura”, voltou ao mesmo site.

Num sinal do mal-estar dentro do partido, a candidata em Tiverton e Honiton, Helen Hurford, recusou-se por duas vezes a comentar a honestidade de Boris Johnson, numa entrevista ao diário The Guardian.

O primeiro-ministro “pensa que é honesto”, respondeu.

Considerado uma máquina vencedora de eleições após o triunfo nas legislativas, há dois anos e meio, sob a promessa de concretizar o Brexit, a reputação de Johnson tem vindo a ser atingida por sucessivos escândalos durante o mandato.

Ansioso por se afirmar no palco internacional, Johnson cancelou na semana passada a presença num encontro de Conservadores no norte de Inglaterra para visitar Kiev pela segunda vez e, ao lado do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reiterar o apoio do Reino Unido face à invasão russa.

No plano interno, o contexto não é favorável para o governo, com a inflação a 9,1%, o mais alto nível em 40 anos, algo que está a aumentar a agitação social, com greves em curso nos transportes ferroviários e outras previstas na educação e saúde.

Com a imagem desgastada pelo escândalo das festas na residência oficial de Downing Street durante o confinamento imposto devido à pandemia, o Executivo envolveu-se novamente em controvérsia recentemente, devido ao fracasso da tentativa de deportação de migrantes ilegais para o Ruanda.

Entretanto, surgiu uma nova polémica, que a imprensa apelidou de “Carriegate”, sobre alegadas tentativas repetidas de Boris Johnson para obter empregos remunerados para a mulher, Carrie.

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