Rúben Amorim: «A única coisa que todos queremos aqui é ser campeões»

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O relógio batia as 12h30 quando Rúben Amorim chegou à sala de conferências da Academia Cristiano Ronaldo, em Alcochete, para fazer a antevisão à visita ao terreno do Gil Vicente. O técnico do Sporting sentou-se e, quase que a pressentir o que aí vinha, logo na sua primeira frase atirou ao futuro do clube... e ao seu. "É preciso ter cuidado com o João Pereira, ainda fica com o meu lugar... Máxima distância", gracejou, quando instado se tinha pedido dicas ao timoneiro dos sub-23 dos leões para defrontar os galos, que hoje terão o interino Carlos Cunha, promovido dos sub-23, ao leme.

O momento arrancou sorrisos, mas daí para a frente o assunto ficou mais sério, tal a insistência com o próximo passo de Amorim, após notícias de um alegado acordo entre o Liverpool e o técnico até 2027. Os reds desmentiram-no na terça-feira e ontem, com assertividade, foi a vez de Amorim. "É a última vez que vou falar sobre o meu futuro. Não houve entrevista, muito menos acordo. A única coisa que queremos aqui todos é ser campeões pelo Sporting. Estou, como sempre, apenas focado em defender o meu clube. Como não tenho mais nada para dizer, não vai haver entrevistas ou acordos com o treinador do Sporting. O assunto está completamente arrumado, seja para este ou para outro clube", atirou, reforçando, sempre com a tónica... no título nacional: "O futuro é o Gil Vicente, os próximos jogos e vamos ganhar o campeonato. Parece que as pessoas estão a dar passos à frente, no que acontecerá no fim da época. E nós estamos ainda aqui a lutar pela vida, os jogadores têm de o sentir – e frisei-o. Não podemos perder pontos."

Ao dia de hoje, a única certeza é que se não levantar nenhum troféu até maio sairá pelo próprio pé. "O objetivo é ganhar títulos. Se ganhando um título fico no Sporting? Não consigo garantir que ganhamos o campeonato, portanto não o posso garantir."

O fim aproxima-se e a crença aumentaA vantagem de 4 pontos abre boas perspetivas rumo ao grande objetivo. E o plantel sente-o. "Com o desenrolar do campeonato acreditamos cada vez mais. Os jogadores ficaram muito felizes com o resultado [Benfica]. Fiquei um bocadinho desconfortável, mas foi só isso", disse, garantindo que os leões não farão festas antecipadas. Até porque "têm noção" do que falta. "Esta semana trabalhámos bem, calmos e tranquilos. Há muito a fazer. Não senti euforia nenhuma. Os jogadores estão como sempre os vi: confiantes, mas a pensar que os jogos são todos muito difíceis."

"Valorização é ganhar títulos"Nem só de rumores de mercado se fez a última semana, já que também foi tema a valorização do plantel do Sporting desde início da época, no valor de 100 milhões de euros (de 229,9 M€ para 329,3 M€). Amorim reagiu com "normalidade" ao estudo do 'Transfermarkt' e rejeitou receber os louros, distribuindo-os pelos "jogadores, scouting e estrutura". "Juntámos jogadores talentosos, uns ajudam os outros. Conseguimos achar jogadores com grande talento e por um valor mais baixo. Isso tem muito mais impacto do que o papel do treinador", apontou, ciente de que este facto só terá real valia... com reais troféus. "De nada vale se não terminarmos a época com títulos. A grande valorização é ganhar títulos e sermos competentes em momentos decisivos como este".

O armário do Minho não tem fantasmasA deslocação a Barcelos marca o regresso do Sporting ao Minho, província onde esta época o leão já largou pontos – empate em Braga e derrota em Guimarães – mas também ali já soube ser feliz – vitórias com Moreirense e Vizela. Amorim reconhece que "os jogos são sempre difíceis" naquela região, só que para os jogadores pouco interessa onde entram em campo.

"Eles não fazem ideia de onde perderam pontos, se aquilo já é Minho ou se ainda é Porto… É completamente indiferente. Não interessa se é no Minho. Isso é para quem olha para essas coisas e pensa muito nisso, eu não sou assim. Preparámos o Gil Vicente, queremos ganhar e depois vamos ao próximo", disse.

Mudança e dúvida
Como seria expectável, a equipa técnica analisou com atenção o adversário, que no início da semana despediu um treinador (Vítor Campelos) para colocar hoje no banco Carlos Cunha, dos sub-23. Amorim recusa a ideia de que esse fator pode jogar a favor dos leões, assumindo, pelo contrário, que até deixa a equipa "mais ansiosa", por ser mais difícil prever a forma como os galos irão jogar.

"A preparação do jogo torna-se diferente, há mais incerteza. Fomos ver os sub-23 do míster Cunha. Ele já passou por esta situação no ano passado e vimos o que fez contra o Benfica. Preparámos uma possibilidade de 3 centrais, não sabemos."

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