Semibreve’22 — Dia 1: a que soa o inimaginável?

3 meses atrás 52

Fotografia: Adriano Ferreira Borges / Semibreve 2022

Publicado a: 28/10/2022

Música disruptiva e sensações extra-corpóreas.

Fotografia: Adriano Ferreira Borges / Semibreve 2022

Publicado a: 28/10/2022

Perto das 21 horas da noite, Braga emanava um clima de suspense que transbordava nas bermas das estradas com tantos aguaceiros que caiam pela cidade. Nenhuma outra condição climatérica teria feito tanto jus ao momento como aquele em que subimos quase que por entre uma névoa espiralar até ao Santuário do Bom Jesus do Monte. Chegado àquele que é o um dos principais símbolos que lacram a cidade minhota, o público já se preparava para que fosse inaugurada a décima primeira edição do festival Semibreve.

Ultrapassada a margem da arte contemporânea (se é que ela alguma vez existiu), conhecemos este festival por almejar uma identidade disruptiva e pela ambição de ir mais longe do que o conceito de uma cidade que se afirma muitas vezes católica e conservadora. Assim sendo, e talvez da forma mais idílica possível, foi diante de todos os soldados prostrados no altar do santuário, que Felícia Atkinson e Violeta Azevedo iniciaram o ciclo de concertos que durará até ao próximo Domingo. Quase que aninhados numa atmosfera etérea e contemplativa, o público presenciou uma performance que explorou lugares inimagináveis que se fizeram ouvir quase como uma sensação extra-corpórea do espaço onde estávamos. Através do som de uma flauta, piano e voz, o trabalho das duas artistas provou-se sublime. Tal se poderá prolongar no workshop que as músicas guiarão no próximo sábado pelas 10 horas da manhã, no Mosteiro de Tibães.

Este ano, a programação do Semibreve volta a contar com workshops, conversas e concertos. Apesar de já ter estado em Portugal para a série de sessões meditativas organizadas pelo MAAT, as expectativas estão voltadas para Maxwell Sterling, que lançou no ano passado um dos seus mais recentes trabalhos, “Turn of Phrase”. Mas também não podemos ficar indiferentes ao tão esperado retorno de Alva Noto ao festival, tal como o de Caterina Barbieri, que desta vez se irá estrear no Theatro Circo no último dia do festival.

Por entre todos estes caminhos, ainda poderemos encontrar workshops de sintetizadores da Patch Point quase todos os dias – e estes serão gratuitos. No sábado, depois de uma conversa com o nosso diretor Rui Miguel Abreu, será no gnration que a príncipe discos montará a pista de dança com a atuação de nomes como Xexa, DJ Kolt, e DJ Marfox.

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