Semibreve’22 – Dia 2 (gnration): desconstruir para construir

3 meses atrás 51

Fotografia: Adriano Ferreira Borges/Semibreve

Publicado a: 31/10/2022

A velocidades estonteantes.

Fotografia: Adriano Ferreira Borges/Semibreve

Publicado a: 31/10/2022

Importante pulmão desse corpo que é a programação cultural de Braga, desde a sua fundação que o gnration é um dos espaços que acolhe o SEMIBREVE. Com um programa que integra toda a série de espectáculos que são responsáveis pelo encerramento dois dias do festival, as portas do espaço mais culturalmente refinado da cidade abriram na sexta-feira para receber um alinhamento eclético e de alto cariz performativo — e foi precisamente dessa forma que se iniciou o primeiro ciclo de concertos no espaço.

À espera de Gábor Lázár, das paredes da blackbox do gnration ecoava um murmurinho que parecia não ter fim. As pessoas aguardavam com expectativa uma actuação do artista húngaro, e o silêncio só chegou quando o mesmo se ergueu no centro do palco, concentrado no ecrã diante de si. Foi num ambiente inóspito (e de quase um complexo desconstrutivo) que Lázár pintou aquela que foi a primeira prestação numa das salas principais na edição deste ano. Por motivos que talvez ultrapassem o próprio entendimento humano, Gábor Lázár apresentou-se a um ritmo de BPMs que ultrapassou qualquer habituação auditiva. Num erguer de uma ansiedade frenética e uma aceleração que tornava quase impossível correr ao mesmo ritmo, o set que durou uma hora fez sentir-se no dobro daquilo que foi o seu tempo real. Não obstante, o público não abandonou e, apesar de ter parecido que a primeira meia-hora tenha sido uma verdadeira prova de resistência a todos os que mantêm os seus batimentos cardíacos a um ritmo saudável, no final foi possível dançar e brindar.



Desorientados mas seguros do caminho a percorrer de seguida, quem vimos e ouvimos de seguida foi Jana Rush, artista que nos trouxe um verdadeiro híbrido daquela que é um bom exemplo do cruzamento de Chicago (e do seu footwork) com o afrobeat. Foram evidentes os desafios que a equipa de som enfrentou, no entanto, a experiência da veterana ajudou a erguer uma pista de dança para uma viagem que começou na polirritmia, mas sem nunca se desviar do dub e do drum’n’bass. Com uma presença que se confunde com aquela que tinha sido sentida no início da noite, Rush meteu todos em alto andamento e em festa, uma que só acabou após BLEID actuar.

Quando a co-fundadora dos colectivos mina suspension e Intera subiu ao palco, quem marcou presença deixou-se guiar por uma selecção e misturas que de forma exímia reflectiram todo o trabalho da produtora. Não excluiu o hyperpop e as idiossincrasias de uma rave europeia, que trouxe até Braga um momento para recordar os verdadeiros motivos pelos quais nós queremos, respiramos e precisamos de uma pista de dança onde se possa dançar. Também conhecida pela proximidade com a Príncipe Discos, a produtora e DJ deixou no ar a energia que faria a ponte necessária para o dia seguinte.


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