Semibreve’22 – Dia 3 (Museu Nogueira da Silva, gnration): a natureza do bom kudurismo

3 meses atrás 48

Fotografia: Adriano Ferreira Borges/Semibreve

Publicado a: 31/10/2022

Realeza na batida.

Fotografia: Adriano Ferreira Borges/Semibreve

Publicado a: 31/10/2022

A celebrar o décimo aniversário de uma das editoras que mais obrigou o mundo a colocar os olhos na produção de música electrónica em Portugal, não poderia acontecer um SEMIBREVE sem um espaço preenchido por alguns dos rostos que deram cara (e corpo, alma e vida) à Príncipe Discos.

Sentados lado-a-lado, a programação do segundo dia do festival arrancou no Museu Nogueira da Silva onde DJ Marfox, XEXA e José Moura, sob a moderação do director do Rimas e Batidas Rui Miguel Abreu, nos contaram um pedaço da história deste selo lisboeta. Já sabíamos das combinações românticas com batidas africanas e da intensidade kudurista que a música electrónica nos pode fazer sentir, mas ainda não tínhamos ouvido em primeira mão como a Príncipe revolucionou aquela que também foi a emancipação de uma comunidade arrastada de forma diaspórica para os subúrbios de Lisboa. 

Desde os discos que se desviaram da rota no aeroporto de Lisboa e que, antes de chegarem à Praça de Espanha, acabaram nas mãos de jovens como Marlon (aka Marfox), até às festas na Quinta do Mocho onde toda a comunidade PALOP levava a música que gostava de ouvir, foi da própria natureza que surgiu a vontade de fazer mais. 11 anos depois de Eu Sei Quem Sou (2011), já todos sabemos (ou devíamos saber) quem é a Príncipe Discos.



A abrir a pista de dança no gnration algumas horas depois desta conversa, e de concertos como o de Malcolm Pardon no Capela Imaculada do Seminário Menor e Alva Noto no Theatro Circo, foi XEXA quem teve a honra de carregar em primeiro lugar a vontade que BLEID tinha deixado ficar da noite anterior. Ainda que a uma velocidade mais lenta e dentro dum universo mais contemplativo, por esta altura já alguns corpos se moviam. Não obstante, foi aquando da chegada de DJ Kolt (produtor de Blacksea Não Maya) que toda a explosão se deu — desde o tarraxo à kizomba, a sensação (devido ao suor) era de que também tinha chovido dentro da blackbox do gnration. 

 O público do SEMIBREVE celebrou o aniversário da Príncipe Discos e nem foi preciso cantar os parabéns — quando DJ Marfox subiu ao palco para encerrar a excursão peregrina às maiores produções originais da label, a pista de dança fez-se mover e transpirou mais um bocado num gesto de profundo agradecimento. Ninguém fica indiferente ao trabalho profundamente relevante de um movimento que nunca cessará de existir e evoluir. 


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