Sete cidades do Norte juntam-se para antecipar a neutralidade carbónica

1 mes atrás 6

Uma coligação de sete municípios portugueses, em cooperação com o centro de engenharia e investigação CEIIA, está a preparar uma candidatura à Missão Climate Neutral & Smart Cities, com a qual a Comissão Europeia quer acelerar as metas de neutralidade carbónica de 100 cidades da UE. Segundo Catarina Selada, do CEIIA, para além de Matosinhos, com o qual esta organização tem vindo já a trabalhar no plano da transição energética e da mobilidade sustentável, a propositura a entregar ainda este ano poderá ser subscrita por Porto, Gaia, Braga, Guimarães, Vila Nova de Famalicão e Viana do Castelo.

Quando a missão foi apresentada há duas semanas, ficou a saber-se que o programa Horizonte Europa vai alocar quase 360 milhões de euros para ajudar 100 áreas urbanas da UE a atingirem esse objectivo já em 2030, e que as eleitas terão ainda acesso a financiamentos de outras fontes, públicas e privadas, para anteciparem, em 20 anos, as metas de redução de CO2 da União. A trabalhar numa agenda de inovação para a mobilidade urbana sustentável, Catarina Selada considera que os territórios urbanos envolvidos neste grupo têm condições para ver aprovada uma candidatura e se tornarem espaços de teste e desenvolvimento de novos serviços e formas de mobilidade carbono zero.

O responsável executivo desta missão, Matthew Baldwin, explicou, numa concorrida sessão online, no início de Outubro, que, escolhidas as cidades, em 2022, caberá a um consórcio internacional, o NetZeroCities, ajudá-las a co-criar, com as autoridades políticas locais e o envolvimento do respectivo governo, dos seus cidadãos e agentes locais, um memorando de entendimento que definirá uma visão global sobre a forma de chegar à neutralidade carbónica nessa cidade. Este será depois suportado por um plano de investimento, para objectivos e projectos concretos, também ele desenhado com o apoio do consórcio. O CEIIA pretende, com a sua experiência nesta área, apoiar a definição de objectivos e formas de os concretizar.

A Comissão Europeia limitou às cidades com mais de 50 mil habitantes a participação nesta iniciativa, mas admite agregações de cidades, desde que estas mostrem um grau de compromisso coordenado e as suas características interessem à diversidade de territórios que esta missão pretende cobrir. Catarina Selada adiantou ao PÚBLICO que, com o apoio da Comissão de Coordenação da Região Norte, está mesmo a ser estudada a criação de euro-região neutra em Carbono, com a vizinha Galiza, envolvendo não apenas os respectivos espaços urbanos mas uma transformação do seu tecido industrial, no qual existem inúmeras empresas ligadas ao sector da mobilidade que estão, elas próprias, a fazer caminho para uma alteração do tipo de bens e serviços que fornecem, tendo em conta as metas climáticas da União. 

Entre as múltiplas capacidades de que dispõe, na área da mobilidade sustentável, o CEIIA pretende promover a inovação urbana ao nível da conectividade e partilha de dados entre a infra-estrutura, as máquinas que nela circulam, sejam elas automóveis, scooters, bicicletas, ou outras, e as pessoas, como já acontece com a plataforma AYR. Catarina Selada considera que a produção de dados sobre padrões de mobilidade é essencial para apoio ao debate e à decisão política, numa altura em que, por exemplo, a agenda urbana da UE tenta promover alterações na distribuição do espaço público entre os vários modos de transporte para favorecer formas mais activas ou suaves de deslocação, nem sempre bem compreendidas por parte da população. 

Ler artigo completo