Sexta-feira farta: novos trabalhos de Mach-Hommy, Beth Gibbons, sús, Wu-Lu ou BADBADNOTGOOD

1 mes atrás 132

É destas sextas-feiras que mais gostamos, quando alguns dos mais ilustres artistas acompanhados pelo Rimas e Batidas se reúnem para lançar novos projectos na mesma altura. Do enigmático e incansável Mach-Hommy aos incontornáveis BADBADNOTGOOD, passando pela veterania de Rapsody ou o estatuto de lenda carregado por Beth Gibbons. Há hip hop mutante, jazz camaleónico e pop que desafia os padrões nesta selecção de 7 discos curada pela nossa equipa.

Djodje (Elements), Malinwa (Linha do Oeste), Janita Salomé (Pássaro Azul), Taxidermia (Vera Cruz Island), Terrace Martin (Grounded), A Boogie Wit da Hoodie (Better Off Alone), Shellac (To All Trains), Ex-Easter Island Head (Norther), SQÜRL (Music for Man Ray), Payroll Giovanni (Have Money Have Heart) e Lip Critic (Hex Dealer) são mais alguns dos nomes que também surgem hoje na rota das edições.


[Mach-Hommy] #RICHAXXHAITIAN

Não são só as guerras entre países as responsáveis por colocar culturas inteiras em perigo de extinção. Afogado numa grande crise política há vários anos, a qualidade de vida no Haiti tem-se vindo a degradar a olhos vistos e Mach-Hommy chama-nos à atenção para o grave problema que atravessa o país do qual é natural. O rapper sediado nos Estados Unidos da América regressa aos discos em nome próprio com #RICHAXXHAITIAN, um novo e importante manifesto de rap esculpido directamente nas ruas com as ajudas de nomes como Black Thought, Roc Marciano, Your Old Droog, Quelle Chris, Conductor Williams, Georgia Anne Muldrow ou o seu inseparável companheiro de armas Tha God Fahim.


[Beth Gibbons] Lives Outgrown

Demorou 10 anos a ser feito o primeiro álbum a solo de Beth Gibbons, cantautora inglesa com uma carreira que dura há mais de três décadas e que tem sido trilhada, essencialmente, ao leme dos Portishead, pioneiros da revolucionária corrente do trip hop. Esse emblemático subgénero da electrónica informa boa parte da essência de Gibbons na sua individualidade, mas em Lives Outgrown surge embrenhado com a folk e um certo rock de cariz mais alternativo ao longo de 10 faixas seladas pela Domino Recording Company.


[sús] Entre

Tradições e saberes ancestrais cruzam-se com tecnologia, art-pop e electrónica vanguardista em Entre, o álbum de estreia de sús que, segundo a própria, são um conjunto de “canções sem receita, mas com uma vaga memória daqueles livros de culinária que percorrem gerações.” Após uma jornada de singles iniciada no ano passado, a cantora, compositora e produtora mostra o seu verdadeiro interior através de uma série de temas que começaram por ser escritos na Dinamarca, mas que foram finalizados noutras paragens.


[Wu-Lu] Learning To Swim On Empty

Das cores do jazz e da poesia à sofrência indie e à angústia do punk vai uma grande distância, mas Wu-Lu parece ser a cola que faz tudo isso soar coeso num único registo. Assim é Learning To Swim On Empty, o segundo disco de Wu-Lu na Warp Records, que parte de uma constante luta interior entre luz e escuridão, colocando uma lupa sobre o lado mais íntimo e pessoal do cantor e músico do Sul de Londres.


[BADBADNOTGOOD] Mid Spiral: Chaos

Saiu na passada quarta-feira, 15 de Maio, mas merece bem ficar alinhado ao lado dos lançamentos de maior destaque neste final de semana. Toda a nova música que os BADBADNOTGOOD nos puderem dar será sempre motivo de celebração, não fosse eles dos principais culpados pelo renascimento do jazz enquanto música de massas. Assente num conceito mais ligado à improvisação, Mid Spiral: Chaos alberga 24 minutos de pura desbunda, que vai desde a contemplação de “Take Me With You” ao head banging de “Last Laught”, envolto numa névoa de influências tão díspares como o rock ou a música popular brasileira.


[Rapsody] Please Don’t Cry

5 anos após Eve, Rapsody volta a servir-nos mais uma masterclass de liricismo no seu novo Please Don’t Cry. Ao quarto álbum, Marlanna Evans mostra-se mais vulnerável do que nunca e embarca numa viagem pelo hip hop e as suas raízes, encaixando os seus versos em diferentes tipos de cadências, do jazz à soul e ao reggae. São 22 faixas para dissecar o estado em que se encontra o pen game da MC da Carolina do Norte, que aqui se vê ladeada de gente como BLK ODYSSY, Hit-Boy, Erykah Badu, Alex Isley ou Lil Wayne.


[Billie Eilish] HIT ME HARD AND SOFT

É na dicotomia entre o que é “macio” e “duro” que Billie Eilish se atira ao terceiro longa-duração, cujas letras dos seus 10 temas estão neste momento a liderar a demanda dos entusiastas do Genius, sinal do quão consensual é a pop que tem vindo a ser protagonizada pela cantora de Los Angeles afiliada da Darkroom/Interscope Records. Novamente ao lado do seu irmão e produtor Finneas, a artista contornou as regras ao lançar um trabalho sem recorrer à mostra de qualquer single de forma prévia, três anos após o bem-sucedido Happier Than Ever.

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