Temido e Bugalho chocam sobre Von der Leyen e extrema-direita

1 mes atrás 86

Avanço da extrema-direita, alianças europeias, imigração, guerra na Ucrânia e habitação marcaram o debate desta terça-feira, na RTP, para as eleições europeias de 9 de junho entre Marta Temido (PS), Sebastião Bugalho (AD), João Oliveira (CDU) e Tânger Côrrea (Chega).

Marta Temido e Sebastião Bugalho protagonizaram alguns momentos de discórdia e de tensão no frente a frente televisivo, nomeadamente sobre o posicionamento em relação à direita radical.

"A AD tem no seu seio partidos que são anti-europeístas, que querem referendar a permanência na União Europeia. Estou a falar do Partido Popular Monárquico. A Europa está sob ataque e não é apenas um ataque por uma guerra que está às portas, é um ataque aos seus valores essenciais e a uma visão solidária da Europa que se está a esboroar e não são projetos de direita tradicional que convivem bem com extremas-direitas, porque elas são mais ou menos palatáveis, que nos levam a resolver os problemas", acusou a cabeça de lista do PS.

Sebastião Bugalho admite que a "extrema-direita ameaça a democracia, mas a AD não pode aceitar lições de moral de complacência com a extrema-direita do PS".

"Os socialistas na Europa e o grupo mais à direita no Parlamento Europeu votaram juntos 823 votações. Votaram juntos 37% no último mandato", argumentou o candidato da AD.

Marta Temido atacou a atual presidente da Comissão Europeia e recandidata, Ursula von der Leyen, por não excluir colaborar com os Reformistas e Conservadores Europeus (ECR), grupo que pode ter a quarta maior bancada no próximo Parlamento Europeu, e que integra partidos como os espanhóis do Vox, os polacos do PiS, os Irmãos de Itália e os franceses da Reconquista.

“O que me parece é que a senhora Von Der Leyen não sabe de que lado é que vai ficar em relação a esse combate. Vimos no fim de semana passado, em Espanha, uma convenção de partidos de direita conservadora e de extrema-direita, afirmações inaceitáveis sobre o respeito do Estado de Direito. Von der Leyen diz - e a AD pelos vistos vive bem com isso - que é possível, dependendo dos resultados eleitorais, admitir parcerias com estas forças políticas e isso preocupa-nos imensamente. É preciso dizer às pessoas o que está em causa nestas eleições”, afirma a antiga ministra da Saúde.

Sebastião Bugalho saiu em defesa da atual presidente da Comissão Europeia: "A Marta Temido não pode acreditar nem dizer aos portugueses que Ursula von der Leyen está mais do lado dos que são pró-Putin do que daqueles que estão do lado da democracia. Se não fosse a Comissão Europeia e o esforço de Ursula von der Leyen a Ucrânia já tinha sido derrotada”.

“Ou se está a expressar mal ou então não percebeu o que está nessa notícia. A Ursula von der Leyen abre a porta aos Conservadores e Reformistas, mas não podemos amalgamar o grupo da identidade e Democracia com o grupo dos Conservadores e Reformistas”, sublinhou o candidato da AD.

Por seu lado, Tânger Corrêa afirma que o Chega não é de extrema-direita, mas sim um partido conservador e diz que ainda é cedo para debater qual será o grupo que vai integrar se entrar no Parlamento Europeu.

Tânger Corrêa admite que, dependendo dos resultados das eleições europeias de junho, pode haver uma aproximação entre os dois grupos mais à direita no Parlamento Europeu: Conservadores e Reformistas ou Identidade e Democracia.

Por seu lado, João Oliveira, da CDU, considera que "há uma sã convivência da União Europeia com a extrema-direita".

"Fora umas guerras de alecrim e manjerona tudo acaba bem, porque a extrema-direita não põe em causa nem o militarismo nem o neoliberalismo", sublinha o candidato comunista.

[em atualização]

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