Toyota experimenta gasolina verde 75% mais limpa. Não é sintética nem tem hidrogénio

10 meses atrás 156

A compatibilidade com os atuais motores a gasolina está garantida. No entanto, esta nova gasolina verde ainda tem mais desafios pela frente.

A menos que algo mude, o futuro da mobilidade na Europa passa pela eletrificação total. Porém, noutras geografias, o processo de redução de emissões ainda não é compatível com esta ambição europeia.

É por isso que a Exxon Mobil Corp. e a Toyota Motor Corp. estabeleceram uma parceria para testar combustíveis com baixo teor de carbono em motores a gasolina, oferecendo, potencialmente, uma solução para reduzir as emissões dos automóveis com motor a combustão. Uma espécie de gasolina verde, totalmente independente dos tradicionais combustíveis fósseis.

Esta nova gasolina verde, que não é sintética nem feita à base de hidrogénio, é produzida a partir de matérias-primas mais limpas e, num futuro próximo, poderá reduzir as emissões de gases de efeito de estufa dos motores de combustão interna até 75%, afirma Andrew Madden, vice-presidente de estratégia e planeamento da Exxon, com base nos resultados iniciais dos testes.

Gasolina verde totalmente compatível

Esta nova gasolina verde mostrou-se totalmente compatível com os motores atuais da Toyota, sem necessidade de alterações mecânicas ou electrónicas, aumentando a possibilidade de vir a ser uma solução complementar aos veículos elétricos a bateria, principalmente em geografias onde a eletrificação enfrenta desafios maiores do que na Europa. Nomeadamente a falta de rede de abastecimento ou a baixa produção de energia verde.

De acordo com Andrew Madden, responsável da Exxon, esta nova gasolina verde ainda está “numa fase de teste”. Para entrar em produção e ser comercialmente viável necessitará do apoio de políticas governamentais, afirmou este responsável em entrevista à AutoNews.

Biomassa e etanol são os ingredientes

Tanto a Exxon como a Toyota têm um longo historial de testes de tecnologias alternativas para reduzir as emissões nos transportes, porém, nem sempre com os resultados esperados.

A Exxon promoveu as algas como uma alternativa sustentável ao Diesel durante anos, antes de abandonar a ideia, enquanto a Toyota tem investido fortemente nos elétricos movidos a hidrogénio, para já sem grande aceitação por parte dos consumidores.

Quanto a esta nova gasolina, que é até 75% mais limpa do que a gasolina fóssil, resulta da mistura de matérias-primas já existentes, como biomassa renovável e etanol produzidos através de processos sustentáveis.

Ter uma solução para combustíveis líquidos que possa ser utilizada na frota atual, enquadrando-a numa política que permita a inovação do mercado, é a forma mais económica de descarbonizar o transporte.

Andrew Madden, vice-presidente de estratégia e planeamento da Exxon gasolina verdeAUDI AG No passado, a Audi foi das marcas que mais apostou na gasolina verde — agora está totalmente focada nos elétricos. Tanto que competiu no Dakar 2023 com esta tecnologia.

Solução para a Europa?

Os automóveis elétricos a bateria ainda enfrentam alguns obstáculos, como a disponibilidade de postos de carregamento, tempos de carregamento prolongados e o custo elevado — principalmente nos segmento mais acessíveis.

Além disso, não são totalmente isentos de carbono se forem alimentados por eletricidade da rede, que geralmente é gerada a partir de uma combinação de fontes, incluindo gás natural e carvão.

O processo de eletrificação do setor automóvel na Europa está em marcha e, segundo a União Europeia, estão reunidas todas as condições para esta transição acontecer, sem sobressaltos, até 2035. Um otimismo que choca com algumas posições recentes, principalmente por parte da Alemanha.

Regressando a esta gasolina de nova geração, não é previsível que venha a ser solução para a Europa. Entre outros motivos, o custo de produção deste combustível pode tornar inviável a sua comercialização. Além disso, para serem vantajosos do ponto de vista ambiental, também precisam de ser produzidos com energia oriunda de fontes renováveis. Muitas variáveis para as quais ainda não há resposta.

Fonte: AutoNews

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