APREN: governo deve retomar os concursos suspensos na área das renováveis

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A mudança de governo prejudicou o andamento dos processos em curso em matéria de renováveis. 

Em entrevista à Antena1 e ao Jornal de Negócios, o presidente da APREN, Pedro Amaral Jorge, diz que o prazo previsto pelo anterior governo para o primeiro leilão de eólicas offshore já não será cumprido porque ainda há muitos procedimentos para levar a efeito, mas acredita que até ao final do ano será possível avançar com a primeira fase, ou seja, definir o modelo de leilão e atribuir o direito dos 10 GW em termos de espaço marítimo. O interesse dos promotores, assegura, mantém-se.

Pedro Amaral Jorge lembra que pelo caminho há eleições europeias e conforme o resultado, se a Comissão Europeia se mantiver em linha com a estratégia atual é até provável, diz, que o processo acelere para numa primeira fase ser atribuído o espaço marítimo e numa segunda fase a construção de 2GW do total de 10GW previstos, até 2030.

Já em relação ao primeiro leilão de gases renováveis (hidrogénio verde e biometano), o presidente da APREN considera que o leilão tem de ser retomado. Será sempre uma primeira experiencia para testar o mercado e também aqui continuam a existir empresas interessadas, assegura.

Ainda assim, apesar de continuarem a existir interessados em investir nestes concursos de renováveis, Pedro Amaral Jorge admite que o caso "Influencer" pode ter tido efeito negativo no investimento em renováveis até porque, explica, várias empresas manifestaram preocupação sobre como os próximos investimentos vão ser realizados. Acrescenta que as mensagens de confiança que o governo possa dar são sempre positivas mas os impactos são sempre difíceis de medir.###

Sobre o programa de governo, diz que "há uma linha clara de continuidade com os compromissos assumidos" e elogia a escolha da ministra Maria da Graça Carvalho para a tutela do Ambiente e Energia. Adianta que estamos em linha com as metas previstas e por isso considera que não se pode reverter, é preciso isso sim implementar.


Neste sentido, diz que é preciso acelerar o licenciamento elétrico e ambiental e por isso defende a continuidade da estrutura de missão criada pelo anterior governo, que aguarda que sejam feitas as nomeações, bem como o portal único de licenciamento que também não avançou.


Nesta entrevista, o presidente da APREN defende o fim da CESE - contribuição extraordinária sobre o setor energético -, lembrando que a situação que levou à sua criação já não se justifica e pede o fim da tarifa social financiada paga pelos produtores e comercializadores. Apelos que serão renovados junto do novo executivo.


Entrevista de Rosário Lira (Antena 1) e de Hugo Neutel (Jornal de Negócios)

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