Cimeira sobre a Paz na Ucrânia com "zero" resultados, considera Moscovo

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A declaração final da cimeira apelava ao restabelecimento do controlo da Ucrânia sobre a central nuclear de Zaporizhia e sobre os portos do Mar de Azov. Foto: Pool via Reuters

A Cimeira sobre a Paz na Ucrânia, que reuniu mais de 90 países na Suíça no passado fim de semana, produziu praticamente "zero" resultados, na visão do Kremlin. A Rússia garante, no entanto, que o presidente russo se mantém "sempre aberto ao diálogo e a discussões sérias e substanciais".

"Se falarmos sobre os resultados desta reunião, são próximos de zero", afirmou o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, aos jornalistas esta segunda-feira.

De acordo com este responsável, muitos dos participantes compreenderam "que qualquer discussão séria não tem futuro sem a presença da Rússia", que esteve fora da reunião.

A grande maioria dos mais de 90 países representados na cimeira de Bürgenstock, na Suíça, concordou no domingo que o "diálogo entre todas as partes" e o respeito pela integridade territorial da Ucrânia são a única forma de pôr fim ao conflito, iniciado em fevereiro de 2022.
A declaração final da cimeira apelava ao restabelecimento do controlo da Ucrânia sobre a central nuclear de Zaporizhia e sobre os portos do Mar de Azov.
No entanto, nem a Rússia nem a China estiveram representadas na Suíça. Além disso, o comunicado final não recebeu o apoio de nações como a Índia, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, todos eles parceiros económicos de Moscovo.

Questionado sobre se o facto de países como a Hungria, a Sérvia e a Turquia terem participado na reunião e assinado a declaração iria estragar as relações dos mesmos com a Rússia, Peskov respondeu negativamente.

"Não, não as vai estragar. É claro que vamos ter em conta a posição que esses países tomaram. Isso é importante para nós e vamos continuar a explicar-lhes o nosso raciocínio", declarou.

Ucrânia rejeita "ultimatos"

Na sexta-feira, Vladimir Putin afirmou que negociaria com a Ucrânia caso as forças ucranianas se retirassem das quatro regiões que a Rússia reivindica e Kiev renunciasse à adesão à NATO.

O seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, rejeitou posteriormente o que descreveu como um "ultimato".


"É claro que nós compreendemos perfeitamente que chegará um momento em que será necessário falar com a Rússia", disse por sua vez o ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros, Dmytro Kuleba. "Mas a nossa posição é muito clara: não permitiremos que a Rússia use a linguagem dos ultimatos, como está a fazer agora".

Apesar destas declarações, esta segunda-feira o chefe da inteligência russa, Sergei Naryshkin, lançou uma nova ameaça, dizendo que se as condições de Putin forem rejeitadas, serão substituídas por outras mais rígidas.

Neste momento, a Rússia controla quase um quinto da Ucrânia e tem avançado gradualmente em várias frentes desde fevereiro deste ano, o terceiro da guerra.

c/ agências

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