Comissão Europeia. Híbridos plug-in emitem 350% mais CO2 que o declarado

1 mes atrás 61

Os dados recolhidos em condições reais pela Comissão Europeia comprovam que há discrepâncias gritantes nas emissões de CO2 dos híbridos plug-in.

De acordo com um relatório da Comissão Europeia (CE) os híbridos plug-in produzem mais 350% emissões de CO2 no «mundo real» do que os valores homologados no ciclo WLTP.

Os híbridos plug-in não foram os únicos visados. Também os veículos apenas a gasolina ou gasóleo fazem parte deste relatório, mas mostraram variações muito mais pequenas: 23,7% e 18,1%, respetivamente.

Toyota C-HR PHEV 2024© Toyota Toyota C-HR plug-in híbrido

Os dados reunidos para este relatório provém de uma amostra de 600 mil automóveis (de um total de 988 231 veículos monitorizados) e são referentes a 2021, o ano em que os dispositivos de monitorização de consumo de combustível passaram a ser obrigatórios em todos os novos veículos ligeiros de passageiros e mercadorias vendidos na União Europeia que usem combustíveis líquidos

Os dispositivos de monitorização de consumo de combustível registam não só o consumo de combustível como também a distância percorrida. Com a ajuda destes a União Europeia fica com uma noção mais real da discrepância entre os valores em ciclo WLTP e os valores reais.

Vamos a números

No caso dos híbridos plug-in essa discrepância é colossal: as emissões de CO2 oficiais dos modelos considerados, de acordo com o ciclo combinado WLTP, é de 40 g/km (39,6 g/km exatos), mas os dados recebidos indicam um valor praticamente 100 g/km superior, de 139,4 g/km. Essa diferença corresponde a um aumento no consumo de combustível de quatro litros por cada 100 km.

Um valor que vai ao encontro de outros já avançados por outras entidades, como o International Council on Clean Transportation (Concelho Internacional da Mobilidade Limpa), que nos seus próprios estudos tinha chegado à conclusão de que “o consumo real de combustível dos plug-in na Europa é três a cinco vezes maior do que os valores de aprovação WLTP.”

No caso dos veículos gasolina e gasóleo, a diferença nas emissões de CO2 é de 35 g/km e 28 g/km, respetivamente, o que equivale a 1,5 litros de combustível adicional por cada 100 km em relação aos dados oficiais.

MotorizaçãoValores reais CO2
(g/km)Valores WLTP
(g/km)
Gasolina180145
Diesel181153
Híbridos Plug-in13940

Qualidade dos dados “bastante pobres”

No entanto, a CE chama a atenção para a qualidade “bastante pobre” dos dados, uma vez que existe uma grande variação entre a quantidade de dados fornecidos pelos fabricantes de automóveis. A JLR enviou dados de 43% da sua frota, enquanto a Mercedes-Benz e a Volvo enviaram apenas 27% e 24%, respetivamente. No entanto, a maioria das restantes marcas enviou escassos 5% ou menos.

Depois do processamento de todos os híbridos plug-in, os dados utilizados no relatório foram dominados pela Mercedes-Benz (39%), Volvo (19%) e Ford (16%).

“Embora estes primeiros dados não sejam amplos ou representativos o suficiente para puderem ser tiradas conclusões firmes, estes fornecem informações preliminares valiosas acerca das emissões dos automóveis.”

Relatório da Comissão Europeia

Ciclo WLTP para os híbridos plug-in em causa

O ciclo WLTP foi introduzido em 2017 tendo como um dos objetivos o de reduzir as discrepâncias entre os valores de consumos e emissões oficiais e os obtidos em condições reais. Olhando para os dados deste relatório, esse objetivo foi, em parte, cumprido.

Se considerarmos apenas os veículos apenas a gasolina e gasóleo, a discrepância combinada de 20% é cerca de metade à que se registava no anterior ciclo NEDC. Contudo, no que toca aos híbridos plug-in, o ciclo WLTP é bastante falacioso, como estes primeiros resultados mostram.

Ford Kuga ST-Line 3/4 de frente© Ford Ford Kuga PHEV, um dos híbridos plug-in mais populares no mercado europeu.

A razão deve-se ao facto de, nos híbridos plug-in, ser associado um “fator de utilidade” ao teste de certificação dos consumos e emissões de CO2. Este refere-se à expetativa da distância percorrida em modo 100% elétrico, que neste caso é de 70-85% do total. Na realidade, tal expetativa não se confirma.

“Estes veículos não estão a ser utilizados no seu máximo potencial, sendo que eles não estão a ser carregados nem utilizados em modo 100% elétrico como seria de se assumir.”

Relatório da Comissão Europeia

Por isso mesmo, a CE já decidiu reduzir o “fator de utilidade” dos híbridos plug-in para 50% a partir de 2025, para os veículos particulares. Os veículos para empresas/frotas serão afetados pela nova forma de cálculo a partir de 2027. Isto significa os valores de consumos e emissões oficiais serão mais elevados.

Híbridos plug-in na Europa

Este relatório surge numa altura em que são cada vez mais os fabricantes automóveis a adiar os seus objetivos de vendas e investimentos em 100% elétricos e a apostar, ao invés, na tecnologia híbrida, incluindo os plug-in.

É a resposta da indústria ao arrefecimento generalizado na procura por veículos elétricos que está a acontecer no mercado, que já se confirma nas tabelas de vendas.

Em fevereiro deste ano, por exemplo, os híbridos plug-in registaram um maior crescimento nas vendas que os elétricos. Uma tendência que deverá continuar a marcar este ano.

Fonte: Automotive News Europe

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