DBRS diz que malparado dos bancos europeus começa a dar sinais de agravamento em alguns bancos e sectores

1 mes atrás 58

“Portugal ainda apresentava o segundo maior rácio de NPL no final de 2023, em média, apesar do bom ritmo de redução alcançado anualmente (redução de 107 pontos base num ano), com o Montepio a alcançar a maior redução anual”, revela a DBRS.

A DBRS publicou um comentário sobre o rácio de incumprimento do crédito (NPL) nos bancos na Europa no exercício de 2023, incluindo bancos da Áustria, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Espanha, Suécia, Noruega, Portugal, Grécia, Dinamarca, Finlândia, Bélgica, Irlanda e Reino Unido.

Os principais destaques incluem o facto de os rácios de NPL dos bancos europeus permanecerem resilientes no final de 2023, embora os bancos de alguns países tenham começado a apresentar alguma deterioração, nomeadamente na Alemanha, em grande parte associada ao setor de Commercial Real Estate (CRE).

A DBRS revela que os bancos da Grécia registaram a maior melhoria dos rácios de NPL no ano passado e que as instituições de crédito de outros países, que tradicionalmente têm elevados rácios de NPL (Espanha, Portugal e Itália), continuaram a reduzir os seus rácios de crédito malparado, “embora esperemos que o ritmo das reduções abrande ou pare em 2024”, acrescenta a DBRS.

“O impacto total do aumento das taxas de juro não foi totalmente repercutido na qualidade dos ativos dos bancos e a nossa opinião é que o ambiente económico resiliente e os níveis de desemprego devem continuar a evitar uma escalada dos problemas de qualidade dos activos dos bancos europeus”, afirmou Maria Rivas, Vice-Presidente Sénior da equipa de Instituições Financeiras da DBRS.

“Dito isto, continuamos a esperar alguma deterioração do rácio de NPL em alguns bancos, particularmente associada a certos sectores que estão sob pressão, tais como o imobiliário comercial e o crédito privado (crédito não bancário e em que a dívida não é transacionada nos mercados de capitais) e, ao mesmo tempo, consideramos que o ritmo de redução alcançado nos últimos anos não é suficiente para evitar a escalada dos problemas de qualidade dos ativos dos bancos europeus”, acrescenta a responsável da DBRS.

Este comentário centra-se no rácio de NPL calculado pela DBRS Morningstar para uma amostra de 44 bancos na Europa, no exercício de 2023, incluindo bancos na Áustria, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Espanha, Suécia, Noruega, Portugal, Dinamarca, Finlândia, Bélgica , Irlanda e Reino Unido (UK) e Grécia.

Os bancos portugueses abrangidos são o BCP, a CGD, o Novobanco e o Banco Montepio.

“Portugal ainda apresentava o segundo maior rácio de NPL no final do ano de 2023, em média, apesar do bom ritmo de redução alcançado anualmente (redução de 107 pontos base num ano), com o Montepio a alcançar a maior redução anual”, revela a DBRS.

Os bancos em Itália e na Irlanda também registaram melhorias nos seus rácios de NPL em termos homólogos, embora a melhoria tenha abrandado em comparação com anos anteriores. O rácio médio de NPL para os bancos em Itália foi de 3,2% e para a Irlanda foi de 3,1%.

“O rácio médio de NPL para a nossa amostra de bancos europeus foi de 2,9% no final do exercício de 2023, ligeiramente melhor face aos 3,1% no final do exercício de 2022. No entanto, as diferenças que foram observadas no terceiro trimestre em alguns países alargaram-se ainda mais no quarto trimestre. Os bancos em países que tradicionalmente apresentavam os rácios de NPL mais baixos da Europa, nomeadamente Alemanha, Áustria, Dinamarca e França, apresentaram a maior deterioração nos rácios de NPL no final de 2023, em termos homólogos. Além disso, os bancos em países com NPL tradicionalmente elevados, como a Grécia, Portugal, Irlanda e Itália, apresentaram melhorias significativas no rácio de NPL em termos homólogos no final do exercício financeiro de 2023”, conclui a DBRS.

Os bancos na Alemanha registaram a maior deterioração nos rácios de NPL, com um aumento de 106 pontos de base no rácio de NPL do exercício de 2023, em média, em termos homólogos, para 2,8% no final do exercício de 2023, acima dos 1,7% no final do exercício de 2022.

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