Mundo ao contrário. Fiat 500 elétrico vai ser adaptado para combustão

6 meses atrás 90

Fique a saber o porquê de a Fiat derivar da terceira geração do 500 — que devia ser só elétrica —, uma inédita versão a combustão.

Não é dia das mentiras, mas parece. A terceira geração do Fiat 500, lançada em 2020, foi desenvolvida para ser exclusivamente 100% elétrica, mas poderá vir a receber, em 2-3 anos, uma motorização mild-hybrid a gasolina.

A informação, adiantada inicialmente pela publicação italiana Il Corriere della Sera, foi entretanto confirmada por fornecedores, sob anonimato, à Automotive News Europe.

Fiat 500 vista dianteira 3/4 e vista lateralFiat 500 elétrico, a terceira geração, lançada em 2020.

A Fiat já terá contactado os seus fornecedores para orçamentar um aumento de produção anual do 500 em Mirafiori (Itália) para as 175 mil unidades. Como referência, em 2023 foram produzidos apenas 77 260 unidades do Fiat 500 elétrico, pelo que se estima que destas 175 mil unidades, cerca de 100 mil serão deste novo 500 com motor a combustão.

Quando questionados, os responsáveis da marca não negaram esse contacto com os fornecedores, mas recusaram-se fazer mais comentários.

Decisão invulgar, mas justificada

Se a «regra» tem sido adaptar ou converter plataformas de carros combustão para aceitarem cadeias cinemáticas totalmente elétricas, aqui vemos o oposto. Porque motivo a Fiat tomou esta decisão?

Temos de considerar vários fatores, que vão dos regulamentares aos políticos. Recordamos que a Fiat quer ser uma marca exclusivamente elétrica na Europa até 2030 e não estava nos planos atualizar o 500 a combustão, com a entrada das novas normas de segurança da União Europeia. O testemunho seria passado ao mais moderno 500 elétrico, que passaria a ser o único 500 à venda.

Apenas o Panda continuaria a ser vendido como o citadino a combustão e, por isso mesmo, a Fiat investiu na sua atualização para ficar em conformidade com as novas regras — a produção vai ser prolongada até 2027.

De uma forma ou outra, o 500 a combustão veria a sua produção encerrada neste primeiro neste primeiro semestre de 2024. Até porque a fábrica onde é produzido, em Tychy, Polónia, vai passar a produzir apenas os Jeep Avenger, Fiat 600 e o futuro Alfa Romeo Milano.

Só que as vendas do 500 elétrico (produzido em Itália), após um início prometedor, não estão a atingir as expetativas da Fiat. O objetivo era o de já estarem ao ritmo de 90-100 mil unidades, mas o arrefecimento da procura por elétricos está a ter um impacto no citadino.

três gerações do Fiat 500Foto de família: as três gerações do Fiat 500.

Este decréscimo de produção que está a gerar receios nos sindicatos italianos, prevendo-se que continue a descer este ano, apesar de terem tido início as exportações para o mercado norte-americano.

Esta adaptação do 500 elétrico para acomodar um motor de combustão, aumentando substancialmente a sua produção, poderá reduzir não só esses receios, como apaziguar as relações com o governo italiano que tem como objetivo de manter a produção automóvel em pelo menos um milhão de unidades por ano no país.

Fiat 500 3/4 de frente© Fiat Fiat 500 é pequeno por fora, mas tem espaço suficiente para acomodar um três cilindros.

O motor previsto é o já conhecido três cilindros em linha de um litro de capacidade, com sistema mild-hybrid 12 V e 70 cv, que é usado pelo 500 a combustão atual e Panda.

De acordo com a Automotive News, poderá demorar entre 18 meses a 24 meses a «transformação» do 500 elétrico para receber a motorização mild-hybrid. Ou seja, a produção do novo Fiat 500 mild-hybrid poderá começar ainda no final de 2025 ou, quanto muito, no primeiro semestre de 2026.

Não é o fim da segunda geração do Fiat 500

Apesar do fim de produção planeado para junho da segunda geração do Fiat 500 na Polónia, não será o fim do citadino que se encontra em comercialização desde 2007.

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A produção do modelo vai ser transferida para a Algéria, para uma nova fábrica em Tafraoui-Orano, que tem uma capacidade de produzir 90 mil unidades por ano. O que irá permitir a comercialização do pequeno 500 a combustão em mercados fora da Europa, como o Médio Oriente e África.

Fonte: Automotive News Europe

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