Sindicatos franceses querem União Europeia para fazer frente à extrema-direita

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Os principais sindicatos franceses apelaram à coordenação com outros sindicatos europeus numa "iniciativa inédita" para combater a extrema-direita na União Europeia (UE), numa altura marcada pela aproximação das eleições para o Parlamento Europeu em junho.

"A extrema direita está a coordenar-se a nível europeu, nós também", disse a líder da Confederação Geral do Trabalho francesa (CGT), Sophie Binet, numa conferência de imprensa conjunta com os representantes da Confederação Sindical Alemã (DGB, sigla em alemão), da Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL, sigla em italiano) e da Confederação Europeia de Sindicatos (CES).

O debate entre sindicatos europeus acontece num contexto de ascensão dos partidos de extrema-direita em vários países da União Europeia (UE) antes das eleições para o Parlamento Europeu, que ocorrem de 06 a 09 de junho de 2024.

A iniciativa visa "desmascarar a impostura social da extrema direita", focando-se em França no partido União Nacional (RN, na sigla em francês), na preparação para o escrutínio de junho, acrescentou Binet, tendo em consideração que o partido de extrema-direita, de Jordan Bardella, se encontra na liderança colocam com cerca de 30% das intenções de voto dos franceses, com base nas últimas sondagens.

Já a representante da Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT), Marylise Léon, sublinhou que a CGT reivindica a possibilidade de "realizar um projeto social que é incompatível com o que a extrema-direita leva a cabo, nomeadamente um programa político baseado na desigualdade de direitos entre os trabalhadores.

"Nós somos extremamente claros sobre o facto de estarmos em diálogo com os eleitores de extrema-direita, não temos de ter nenhum debate com os líderes destes grupos políticos que carregam intrinsecamente a desigualdade de direitos no seu projecto", afirmou Léon.

Sophie Binet referiu ainda que "o ponto comum de todas estas extremas-direitas europeias é que, efetivamente, sabem que devem ganhar o voto dos trabalhadores, mas no fundo têm um programa ao serviço do capital, pró-empregadores", citando como exemplo a Alternativa para a Alemanha (AfD) e o governo de Giorgia Meloni na Itália.

Para a secretária-geral adjunta da CES, Isabelle Schömann, os sindicatos europeus são "as barreiras de proteção contra a extrema direita".

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