Como um esquema Ponzi quase terminou em guerra civil na Albânia

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Em 1997, a Albânia sofreu as consequências de um esquema de pirâmide apoiado pelo governo.

Em 1997, a Albânia sofreu as consequências de um esquema de pirâmide apoiado pelo governo. O processo quase terminou numa guerra civil, quando, em 1997, eclodiu um esquema Ponzi que se tinha formado nos meses anteriores: todo um sistema de depósitos apoiado pelo governo, que prometia juros enormes, ruiu e tornou-se evidente que o o dinheiro dos participantes não foi investido para fins produtivos.

A Albânia era um dos países mais pobres do Velho Continente, e a promessa de elevados retornos (foi até prometido que o dinheiro seria duplicado em dois meses) atraiu uma grande parte da população para as instituições privadas que acabavam de surgir. uma alternativa aos bancos mais relutantes e com maiores dificuldades na concessão de empréstimos.

Além disso, como explicou o Fundo Monetário Internacional (FMI) alguns anos após a eclosão da crise, as instituições informais criadas para estes regimes receberam apoio de instituições oficiais. “Foram considerados benignos desde o início e foram até reconhecidos como tendo dado um importante contributo económico”, nota o Fundo numa publicação lançada em 2000 e assinada por Christopher Jarvis.

Nas eleições realizadas um ano antes do surto, em 1996, houve contribuições para as campanhas eleitorais do Partido Democrata, vencedor das eleições, por parte de algumas das empresas que formaram estas fraudes. Em Novembro de 1996 já havia sinais de falência em alguns destes esquemas, mas o governo continuou a apoiar estas empresas: “Altos funcionários apareciam frequentemente em eventos públicos destas empresas e recebiam medalhas em homenagem ao aniversário de uma destas empresas, “, explica Jarvis.

Aos olhos do governo ou, pelo menos, segundo a versão que difundia na época, era uma prática que ajudaria a expandir o sistema de crédito do país. Longe de ser esse o caso, formou-se uma enorme bolha nestes esquemas de pirâmide, ao ponto de os passivos das empresas que aceitaram os depósitos ascenderem a quase metade do PIB do país naquela altura. Um governo irresponsável, uma população empobrecida e a ganância de um grupo de ‘empresários’ golpistas foram o coquetel perfeito para o país cair na anarquia a uma velocidade sem precedentes.

A má educação financeira dos cidadãos foi um dos ingredientes perfeitos para a formação da fraude. Dois terços da população tinha investido nestes depósitos, contra as recomendações do FMI, entre outras instituições, e em Março de 1997 a população saiu às ruas para protestar quando se tornou claro que as entidades não conseguiriam cumprir os reembolsos.

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