O que mudou em 50 anos de democracia?

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A transição democrática portuguesa cravou o derradeiro ‘prego’ na era dos impérios, dando início à “terceira vaga de democratização”, como lhe chamou Samuel Huntington. Portugal partiu de uma sociedade essencialmente rural, atrasada e profundamente desigual, e saltou várias etapas de desenvolvimento. 50 anos volvidos sobre o 25 de Abril, a pergunta continua a fazer sentido: o que mudou?

De um dia para o outro, jornalistas de toda a Europa e dos EUA chegaram a Lisboa e colocaram o país no mapa político. No mundo da comunicação, aliás, este foi um momento de glória para Portugal. A 25 de Abril de 1974 dá-se o golpe militar que pôs fim ao regime do Estado Novo, que fez o pleno das manchetes dos grandes jornais e foi capa simultânea da “Time” e da “Newsweek”. Para além de ser notícia de abertura de noticiários na rádio e televisão, um privilégio que, regra geral, só acontece no caso de um país pequeno por uma razão muito boa ou muito má.

Desde então, muito mudou em Portugal, mas antes de nos adentrarmos nessa transformação, um apontamento sobre o facto de o desenvolvimento económico e político do país – mau grado as semelhanças com democracias industriais mais desenvolvidas – apresentar, na sua vertente política, especificidades que fazem de Portugal um laboratório apetecível para estudar problemas que afetam as democracias contemporâneas.

Primeiro detalhe invulgar, a transição democrática na década de 1970 foi desencadeada por um golpe de Estado levado a cabo por militares de média patente. A revolução social resultante tem um legado, visível ainda hoje, no papel que o Estado desempenha na economia, na cultura política e medidas políticas, assim como nas divisões sociais subjacentes ao sistema partidário.

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