Portugal entre 81 países clientes de fabricante de armamento britânica

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Elaborado pela organização não-governamental Action on Armed Violence (AOAV na sigla inglesa), o estudo descobriu que destes países com relações comerciais confirmadas entre 2013 e 2023, mais de metade (55%) tem uma pontuação inferior a 50% no Índice de Perceção da Corrupção (IPC) da organização Transparência Internacional.

A AOAV referiu ainda que, de 17 países sujeitos a golpes militares na última década, nove tiveram contactos ou adquiriram material à BAE Systems, dos quais cinco eram clientes: Egito, Mali, Tailândia, Turquia e Ucrânia. 

O diretor executivo da organização, Iain Overton, defende maior transparência sobre esta indústria que está a beneficiar dos atuais conflitos armados em diferentes partes do mundo. A França também é pouco transparente, mas a Alemanha é melhor e os EUA são muito mais transparentes, afirmou.

"Se vendermos armas a países onde estão claramente a ser utilizadas - Israel e a Arábia Saudita são exemplos claros de violações dos direitos humanos que foram bem registadas e relatadas por grupos como a Human Rights Watch e a Amnistia Internacional -, penso que é justo dizer que isso suscita o legítimo interesse público", afirmou, numa conferência de imprensa hoje em Londres.

O grupo britânico BAE Systems é uma das principais empresas europeias de armamento, defesa e aeroespacial, trabalhando em programas de desenvolvimento de aviões de combate, tanques militares e submarinos com propulsão nuclear.

O ano passado foi classificado pela BAE Systems como o melhor da história em termos de novas encomendas, que ascenderam a 37,7 mil milhões de libras (44,2 mil milhões de euros), gerando um lucro operacional de cerca de 2,6 mil milhões de libras (três mil milhões de euros). 

Nos últimos seis meses, as ações da empresa valorizaram cerca de 24%, o que Overton atribuiu à guerra de Israel contra o Hamas.

O antigo jornalista lembrou que "estes lucros estão a ser financiados pelos contribuintes" dos países clientes e argumentou que Londres está a ignorar as obrigações enquanto signatário de convenções internacionais sobre a venda de armas para dar prioridade aos interesses económicos.

No Reino Unido, para se exportar equipamento militar, é necessária uma licença emitida do Governo que aplicam uma série de critérios, nomeadamente o respeito pelo direito Internacional e o risco de as armas serem usadas para violar os direitos humanos. 

"Trata-se de questionar se, num ambiente pós-Brexit, o governo do Reino Unido tem um compromisso ético para com os direitos humanos quando se verifica a quem estão efetivamente a permitir as exportações", vincou.

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